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Embraer abre PDV e tenta economizar US$ 200 milhões

A Embraer anunciou nesta segunda-feira, 8, aos seus funcionários que irá abrir um Programa de Demissão Voluntária (PDV) no Brasil, em meio à uma série de medidas para cortar US$ 200 milhões em custos. O anúncio ocorre em um contexto de dificuldades enfrentado pela Embraer, que reduziu, em julho, suas projeções de entregas de jatos para 2016.

"A Embraer acredita e trabalha pela superação desse momento. A companhia precisa assegurar sua perenidade e, para isso, necessita manter grande disciplina financeira, tomando ações imediatas", informou a empresa, em comunicado.

A companhia ainda afirmou que o PDV "dá a oportunidade de decisão ao funcionário e oferece um pacote atraente de benefícios". A empresa emprega atualmente cerca de 17 mil funcionários e não informou quantos devem ser impactados nesse processo.

Segundo a Embraer, o objetivo é economizar cerca de US$ 200 milhões com o conjunto de medidas para a revisão de custos, incluindo o PDV. Este é o mesmo montante provisionado pela companhia no segundo trimestre de 2016, relacionado à investigação nos Estados Unidos sobre alegação de "não conformidade" com o U.S. Foreign Corrupt Practices Act (FCPA).

Em seu balanço trimestral, a companhia explica que esse montante é uma estimativa de "provável desfecho" de negociações, mas salienta que o valor ainda não foi "finalmente determinado". Desde 2010, a Securities and Exchange Commission (SEC) e o Departamento de Justiça dos EUA questionam a companhia por suspeitas de irregularidades na venda de aeronaves fora do Brasil. Em 2016, conforme descreve a Embraer, as negociações com as autoridades americanas progrediram "significativamente".

A coincidência dos valores levou o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos a acusar a empresa de cobrar dos trabalhadores a conta do suposto esquema de corrupção. "A Embraer não pode jogar a conta desse caso de corrupção nas costas dos trabalhadores. É preciso que a denúncia seja minuciosamente investigada e os responsáveis sejam punidos e os prejuízos ressarcidos", afirmou, em nota, o vice-presidente licenciado do Sindicato dos Metalúrgicos, Herbert Claros da Silva.