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Empresas globais desengavetam planos de investimentos no País, diz Meirelles

Sem prometer um prazo para que o Brasil saia da crise, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse nesta quarta-feira, 18, esperar que a retomada da atividade econômica ocorra já nos próximos trimestres. Com apenas seis dias no cargo, ele relatou já ter sido procurado por executivos de empresas globais que estariam começando a desengavetar planos de investimentos.

"Acho prematuro fazer previsões, mas esperamos a retomada de atividade nos próximos trimestres. Não serão necessários anos. Quanto mais rápidas as medidas forem adotadas, mais precisas serão essas previsões", avaliou o ministro.

Meirelles analisou que o retorno das bases para o crescimento da economia depende sobretudo da volta da previsibilidade para os investimentos após um período de retrocessos na confiança do mercado na estabilidade de regras no País. "Recebo relatórios de empresas globais que já me ligaram dizendo que estão reativando planos de investimentos que estavam arquivados. Isso significa que já estão apostando que o País voltará a crescer, já é ganho de previsibilidade", alegou.

O maior trunfo do País, na opinião do ministro, é a manutenção do mercado de consumo. "O desemprego aumentou, mas o número de empregados hoje é maior do que era há 15 anos. A classe média cresceu e está aí, apesar de estar sofrendo nos últimos tempos", afirmou.

Para alavancar rapidamente os investimentos, Meirelles considerou ainda que outros retrocessos da economia nos últimos anos, como o aumento do intervencionismo estatal e a incerteza inflacionária, são problemas que o governo tem condições de reverter.

Carga tributária

O novo ministro da Fazenda afirmou que não há dúvida de que a carga tributária brasileira é elevada e que o objetivo é estabilizar e reduzir essa carga. "Vamos verificar se é necessário ter algum aumento de impostos, seja algum que já está em discussão ou não", disse.

Como objetivo principal de longo prazo, o ministro lembrou que o importante é que a dívida pública seja sustentável. "Não há dúvida de que é possível, mas não há dúvida que existirão medidas estruturais para que isso seja possível", frisou. Na avaliação do ministro, além do aumento de imposto, o governo está estudando cortes em vinculações constitucionais, por exemplo, além de estabelecer um teto para evolução das despesas públicas que se ajustem no tempo a patamares sustentáveis que sejam horizontais, mas evitou confirmar qualquer hipótese. "São hipóteses meramente exemplificativas", destacou.

Em vários momentos da entrevista com um pequeno número de jornalistas, o ministro reforçou que o principal objetivo é estabilizar a trajetória da dívida. Ele lembrou que medidas para que esse objetivo seja alcançado serão tomadas agora e que seus efeitos serão sentidos no longo prazo, já em outro governo.

Dívida pública

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, previu um prazo de até quatro anos para a trajetória de alta da dívida pública se estabilizar. "Um horizonte de estabilização da dívida de dois, três, quatro anos é razoável, dependendo da velocidade da estabilização", afirmou. Ele advertiu que a dívida em "poucos anos" pode atingir patamares insustentáveis. Trajetória que, segundo ele, precisa se revertida.

"Quanto mais rápido melhor" afirmou. Ele ponderou que essa melhora ocorrerá no próximo governo, mas é preciso tomar as medidas de longo prazo agora. "Estamos falando de medidas que terão efeitos em vários governos, mas medidas têm que ser tomadas agora", disse.

Ele enfatizou que o governo trabalha com um cenário base para a política fiscal com o qual o governo passará a adotar que é "realista". "Tem que ser realista fazendo o maior esforço possível, mas que seja realista e seja de fato cumprido, temos que definir com a menor margem de incerteza", disse.

Bancos públicos

Apesar de ter prometido que anunciaria todos os nomes da equipe econômica esta semana, o novo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou que só pensará nos nomes para comandar os bancos públicos a partir da quinta-feira, 19. "Ontem (17), eu anunciei secretários", disse, numa referência a Carlos Hamilton, que irá comandar a secretaria de Política Econômica, e a Mansueto Almeida, que assume a secretaria de Acompanhamento Econômico.

Ainda no anúncio de terça-feira, o ministro indicou Ilan Goldfajn para a presidência do Banco Central e Marcelo Caetano para a secretaria da Previdência Social.

Sobre os nomes de sua equipe, Meirelles anunciou que Marcos Mendes, assessor econômico do Senado, está trabalhando com ele na função de assessor econômico do ministro.

Para chancelar a presença de Ilan no Banco Central, o indicado de Meirelles precisa passar por uma sabatina no Senado Federal.