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EPE: consumo fica estável em junho e acumula queda de 1,7% no semestre

O consumo nacional de eletricidade na rede registrou estabilidade no mês de junho, com 37.174 GWh, informou a Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Com isso, no primeiro semestre, a demanda nacional de energia alcançou 231.502 GWh, queda de 1,7% na comparação com o mesmo período de 2015.

A EPE aponta que o contexto político-econômico continua trazendo grande dose de incertezas às análises e projeções do consumo de energia e considera que a queda observada ao longo dos seis primeiros meses do ano é resultado do cenário econômico adverso, da redução do poder aquisitivo, do desemprego e das temperaturas médias mais amenas.

Em junho, o consumo das indústrias caiu 3,3%, acumulando um recuo de 5,3% no semestre. Já a classe comercial teve queda de 2,9% no sexto mês do ano e registra baixa de 1,5% no acumulado de 2016. A demanda nas residências, por sua vez, cresceu 4,6% na comparação mensal e consolida alta de 1,2% de janeiro a junho.

A EPE explicou que a demanda mais forte das residências no último mês foi influenciada pelo ciclo maior de faturamento em algumas importantes distribuidoras. Retirando-se essa influência, o crescimento seria em torno de 2%. De qualquer forma, esse já é o quarto mês consecutivo de variação positiva do consumo residencial, reflexo, principalmente, da influência da temperatura e do afrouxamento das medidas de economia de energia adotadas pelas famílias nos meses anteriores fruto do choque tarifário ocorrido no ano passado, avalia a entidade.

Já no caso dos consumidores do comércio e serviços, depois aumentarem sua demanda em abril e maio, sob influência da temperatura, voltaram a reduzir seu consumo em junho. Para a EPE, prevaleceu sobre o resultado da classe o efeito da baixa atividade do setor, disse citando o volume de vendas no varejo. "A melhora das expectativas do empresariado, conforme apontado pela FGV e CNC, ainda não se traduziu em recuperação do nível de atividade nem em novos investimentos de expansão", afirmou.

No caso das indústrias, a EPE destacou que, apesar da queda de 3,3% anotada em junho, em uma visão mais abrangente se observa que as taxas estão ficando menos negativas a cada mês, com a série de médias móveis 12 meses exibindo sinais de estabilidade. "Este panorama do consumo industrial pode ser reflexo do momento de transição pelo qual parece estar passando a economia. Apesar dos indicadores antecedentes estarem anunciando uma possível recuperação, impelidos pela melhora das expectativas, os indicadores econômicos reais vêm apresentando flutuações, deixando transparecer uma conjuntura ainda adversa."

Dentre os dez setores industriais que mais demandam energia elétrica, o ramo metalúrgico foi o destaque de alta pelo segundo mês consecutivo em junho (+4,4%). Também registraram taxas positivas os segmentos de Papel e Celulose (+0,9%) e de produtos alimentícios (+0,2%). Na outra ponta, extração de minerais metálicos registrou queda de 24,8%, seguido por produtos minerais não metálicos (-11,1%) e indústria têxtil (-5,6%).