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Estabilidade da inadimplência é ruim em cenário de melhora das carteiras, diz SPC

A praticamente estabilidade da inadimplência, apontada pela Nota de Crédito de janeiro, divulgada pelo Banco Central (BC), torna-se um indicador ruim para a economia se for levado em conta que de um ano e meio para cá as carteiras de crédito dos bancos melhoraram. A avaliação é da economista-chefe da SPC Brasil, Marcela Kawauti.

De acordo com a nota, a inadimplência média no crédito livre passou de 5,3% em dezembro para 5,4% no mês passado. Para Pessoa Jurídica, a inadimplência ficou em 4,7% em janeiro ante 4,5% em dezembro de 2015. Para Pessoa Física, fechou em 6,2% ante 6,1% em dezembro.

Para Marcela, esta estabilidade seria positiva se os bancos não tivessem "levantado a barra" nas exigências na hora de analisar pedidos de crédito e não tivessem reduzido as concessões de novos créditos. É um sinal de que não há dinheiro decorrente de novas operações de crédito circulando na economia e que os devedores não estão conseguindo honrar os compromissos antigos.

Outro ponto que mereceu destaque da economista na Nota de Crédito de janeiro é que já se começa a perceber queda na relação crédito/PIB. "Essa relação caiu tanto para Pessoa Física quanto para Pessoa Jurídica", observou Marcela. Na média, a relação crédito/PIB caiu de 54,3% em dezembro para 53,7% em janeiro, segundo a Nota do BC. Para PJ, a relação caiu de 28,8% para 28,3% e para Pessoa Física, de 25,5% para 25,4%.

"Esse era um indicador de que nos orgulhávamos. Mas a queda na relação crédito/PIB mostra que tanto os bancos quanto os consumidores estão perdendo espaço no mercado de crédito", disse a economista-chefe da SPC Brasil. Também sinalizador de que a situação não anda bem para o lado das finanças das empresas e do consumidor no Brasil é o aumento da taxa de juros aplicada sobre a utilização do rotativo no cartão de crédito, disse Marcela.

"Subiu quase 10 pontos, de 431% ao ano para 439,5%, batendo novo recorde", comparou a economista, acrescentando que isso reflete, entre outras coisas, a defesa dos bancos contra o aumento dos riscos de eventuais calotes.