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Estudo mostra que brasileiro deixa de pagar conta para comprar comida

Ultimamente, a rotina do Marlon Vieira dos Santos tem sido colocar na ponta do lápis as dívidas da casa. Já são três contas de luz e duas faturas de água atrasadas. Com a crise, a família dele mal tem condições de comprar comida. O jeito foi deixar as faturas em aberto. “Foi no começo do ano que vieram as dificuldades, apertar mais, daí atrasou”, comenta.

E essa situação não acontece só com o Marlon. Segundo uma pesquisa do Serasa, nos últimos dois anos, milhares de brasileiros deixaram de pagar contas essenciais como água, luz e gás. No ranking de inadimplência do Brasil, essas contas agora ocupam a segunda posição, com 18% das dívidas atrasadas. Conforme o estudo, essa alta foi a maior registrada desde 2014.

A economista Cleisi Hilgemberg explica que o aumento na inadimplência tem explicação. “É que as pessoas não estão se planejando, o orçamento familiar está falhando. O mais grave é que o preço das coisas aumento, o preço da luz por exemplo aumentou 50% só no ano passado, a água aumentou em torno disso também, e a falta de planejamento agora começa a apertar”, esclarece.

Hoje, água, luz e gás ficam atrás somente do campeão da inadimplência: o cartão de crédito e o financiamento bancário. Com juros exorbitantes, é fácil deixar a dívida virar uma bola de neve, como explica o coordenador do Procon de Ponta Grossa, Edgar Hampf. “Quando você não paga a totalidade da fatura do cartão de crédito, aquele saldo que fica entra numa taxa anual de juros que pode chegar a 500%, e isso é muito elevado”, detalha. “No cheque especial, há também juros bastante expressivos, e isso acaba corroendo o salário e o rendimento do consumidor”, completa.

Mas há esperança: com planejamento e negociação, é possível sair do vermelho e colocar as contas em dia. “Pague sempre as dívidas mais caras, a que você tiver que negociar juros, troque essas dívidas por um juro mais barato. Então, se você tem dívida com cartão de crédito, que tem um dos juros mais altos, troque essa por dívidas mais baratas e que você possa pagar tudo. E também faça o planejamento ao longo do tempo para que você possa ter uma despesa menor”, completa a economista.

Colaboração Carla Yarin, da Rede Massa.