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Fala de Yellen reforça alerta do Copom sobre incerteza global e juros caem


Os juros futuros começaram em baixa a semana encurtada pelo feriado de carnaval, refletindo a percepção de que as dúvidas sobre o desempenho das economias centrais devem pesar contra uma elevação da Selic nos próximos meses, como já alertara o Banco Central na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Essa avaliação foi reforçada nesta quarta-feira, 10, por declarações da presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, durante seu depoimento ao Congresso norte-americano. A sessão reduzida da Quarta-Feira de Cinzas, contudo, foi de volume comedido de negócios.

Ao término da negociação regular, o DI julho de 2016 fechava em 14,295%, de 14,370% no ajuste da sexta-feira. O DI janeiro de 2017 terminou em 14,415%, ante 14,560%. O DI janeiro de 2018 encerrou em 15,11%, de 15,23%. O DI janeiro de 2021 recuou de 15,94% para 15,88%.

As taxas operaram em baixa durante toda a tarde, descolada do viés de alta do dólar ante o real, diante da leitura de que a recessão no Brasil e as incertezas sobre a economia global não devem dar espaço para um aperto monetário. Mesmo porque os efeitos da desaceleração da economia da China e do recuo dos preços do petróleo e sinais ainda mistos sobre a saúde da economia dos EUA podem levar o próprio Federal Reserve a colocar em stand by o ciclo de alta de juros norte-americanos. Vale lembrar ainda que as taxas estão negativas no Japão e que o Banco Central Europeu já sinalizou disposição em ampliar os estímulos de liquidez para reanimar a economia.

Em depoimento à Câmara dos Representantes nesta tarde, Yellen afirmou, por exemplo, que o Fed monitora "cuidadosamente" o que acontece nos mercados globais. Segundo ela, a economia dos Estados Unidos está perto de níveis considerados normais, porém é freada por forças contrárias. Yellen afirmou que o Fed "não hesitaria" em reverter a alta os juros, caso fosse necessário, mas disse não esperar que se chegue em breve a um cenário que justificaria um corte nos juros.

A queda das taxas futuras desafiou também a piora das medianas para a inflação trazidas pela pesquisa Focus. A mediana para o IPCA em 2016 subiu de 7,26% para 7,56% e a de 2017 chegou a 6%, teto da meta de inflação, ante 5,80% na pesquisa anterior. A mediana para o PIB, por sua vez, aponta queda de 3,21%, de 3,01% no levantamento da semana passada. A mediana para a Selic este ano manteve-se em 14,25%, mas a percepção de corte da taxa em 2017 foi antecipada de março para janeiro.