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Faturamento do setor de cartões de crédito cresce 9% em 2015

O faturamento do setor de cartões de crédito no Brasil subiu 9% no ano passado, para R$ 678 bilhões, enquanto o do segmento de débito avançou 12% em relação a 2014, para R$ 390 bilhões. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira, 6, pelo Banco Central e fazem parte do Relatório de Vigilância do Sistema de Pagamentos Brasileiro 2015.

De acordo com o documento, foram realizadas 5,7 bilhões de transações com

cartões de crédito e 6,5 bilhões com cartões de débito emitidos no País, cerca de 3% e 15% de crescimento em relação a 2014. Para o BC, levando-se em consideração o resultado dos últimos anos, a tendência é de que o crescimento maior dos cartões de débito ante os de crédito se acentue.

A quantidade de cartões de crédito e de débito ativos, segundo o relatório, manteve-se praticamente estável em relação a 2014, com destaque para uma pequena redução dos cartões das categorias "básico" e para o aumento de 26,4% dos cartões da categoria "premium". Comportamento semelhante ocorreu na quantidade e no valor das transações com cartões dessas categorias.

O BC ressaltou no documento que essa mudança na composição dos portfólios de cartões de crédito vem contribuindo para o aumento na tarifa de intercâmbio média (porcentual da compra que os credenciadores repassam aos emissores), que representava 46% da taxa de desconto no quarto trimestre de 2008 e atingiu 59% ao final de 2015 (aumento de 28% no período). "Cabe destacar que o perfil de parcelamento das vendas pelos lojistas, outro fator que poderia ter contribuído para o aumento do repasse dos credenciadores para os emissores, manteve-se praticamente estável", trouxe o documento. Nesse mesmo período, o repasse da taxa de desconto aos emissores de cartões de débito passou de 50% para 54%.

O BC avaliou também que houve pequena redução da concentração no mercado de credenciamento. De acordo com a autarquia, houve uma ligeira diminuição no índice de concentração dos dois maiores credenciadores no mercado, de 88,7% em 2014 para 86,1% em 2015, considerando-se o faturamento com cartões de crédito e de débito. Restringindo-se ao mercado de credenciamento dos arranjos de pagamento, Visa e MasterCard, o índice de concentração dos dois maiores credenciadores caiu de 90,8% para 88,7%.

Cheques e saques

A redução dos cheques em 2015 foi mais acentuada do que nos anos anteriores, apresentando quedas de 12% em quantidade e de 9% em valor em comparação com o ano anterior. Já a quantidade de operações de saque de numerário se manteve praticamente estável, mas o valor dos saques caiu 4,5%, o que indica uma queda no valor médio dessas transações. "Essas estatísticas sinalizam a continuidade do processo de substituição dos instrumentos de pagamento em papel pelos pagamentos eletrônicos."

Canais não presenciais

O BC identificou que, no ano passado, 60% das transações feitas por clientes bancários foram realizadas nos canais não presenciais, como internet, telefones móveis e centrais de atendimento. A instituição deu destaque para os dispositivos móveis, canal em que a quantidade de transações mais do que dobrou em relação a 2014, atingindo 20% da quantidade total de transações de clientes, mesmo porcentual dos caixas eletrônicos.

Já o atendimento tradicional em agências, postos de atendimento e correspondentes no País continua em queda, com 22% das transações realizadas nesses canais, em 2015. Nos canais presenciais, cerca de 70% das operações envolvem movimentação financeira, como pagamento de contas, depósitos, transferências e saques. Nos correspondentes, em especial, os pagamentos de contas e saques chegam a 81,2% das transações, de acordo com o BC.

Desde a abertura do mercado de credenciamento, em 2010, a média da taxa de desconto nas compras com cartão de crédito caiu de 2,95% para 2,75% e a com cartão de débito, de 1,58% para 1,51%. Entretanto, as despesas com aluguel de máquina (POS) e conectividade aumentaram 65%, atingindo 18% do custo médio dos estabelecimentos comerciais ao aceitar cartão.

No documento, a autarquia constatou que a infraestrutura de atendimento dos clientes por meio de caixas eletrônicos - terminais de autoatendimento (ATM) - começou a apresentar os efeitos do compartilhamento de terminais via rede Banco24Horas, por conta da substituição dos terminais de propriedade das instituições financeiras pelos terminais compartilhados. Pelos dados levantados pelo BC, houve aumento de 12,7% na média da quantidade de transações por terminal de acesso aberto, enquanto foi observada uma queda de 6,8% na média de transações nos terminais de acesso restrito.