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FGC deve dar aval para BTG Pactual comprar operação do Banif no Brasil

O conselho de administração do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) deve dar o aval ao banco BTG Pactual para a compra do banco Banif no Brasil. Em teleconferência realizada no início da noite dessa segunda-feira, 18, a maioria dos conselheiros do fundo concordou com a operação. A decisão final será tomada hoje pelo conselho. A condição é de que o BTG pague imediatamente os R$ 2 bilhões que ainda deve ao fundo. Em contrapartida, o banco terá prazo estendido para pagar outras operações que tem com o FGC, especialmente as relativas ao banco Pan, com taxas que devem ser renegociadas.

O banco BTG não quis comentar, e o FGC disse oficialmente, por meio de sua assessoria de imprensa, que "não confirma" a negociação. Mas fontes que participaram da reunião, que foi feita por teleconferência, dizem que o negócio está praticamente certo. A negociação depende do aval do FGC em função do empréstimo tomado pelo banco criado por André Esteves no ano passado.

Quando o banqueiro foi preso no âmbito da Operação Lava Jato, houve uma corrida de saques de ativos da instituição, e o FGC teve de emprestar cerca de R$ 6 bilhões para dar liquidez ao BTG. Uma série de exigências foi imposta, entre elas a venda de ativos e a suspensão de pagamento de bônus a executivos. Cerca de dois terços do empréstimo já foram pagos, mas a diferença ainda IMpede que o banco possa sair às compras sem consentimento do fundo.

Foco

O interesse do BTG no Banif é na carteira de crédito podre. A estimativa é de que cerca de R$ 500 milhões estejam hoje na carteira de contingências do banco. A ideia é replicar a operação do Bamerindus, segundo fontes próximas ao BTG.

O banco de Esteves comprou os direitos e bens da instituição, com exceção da marca Bamerindus, para poder usar os créditos tributários e também tentar recuperar parte dos créditos podres. A aquisição, na época, custou R$ 418 milhões à instituição.

Para a compra do Banif, o desembolso deverá ser de apenas R$ 1, segundo fontes a par das negociações. A instituição no Brasil tem uma série de problemas, incluindo dezenas de ações judiciais, com créditos sendo questionados por fundos de pensão e clientes em geral, que acusam o banco de ter desviado patrimônio ou feito operações irregulares no mercado imobiliário. Além disso, a instituição tem discussões tributárias em andamento na Justiça.

De acordo com dados do Banif em Portugal, a franquia no Brasil teria gerado perdas de ¤ 267 milhões entre os anos de 2012 e 2015. Executivos do banco chegaram a declarar em comissões de inquérito em Portugal que o "Banif Brasil é um filme de terror" - tamanhos os indícios de atos criminosos.

O Banif chegou a ser citado em algumas investigações da Operação Lava Jato. Um dos pagamentos feitos a Renato Duque, ex-executivo da Petrobrás, por exemplo, teria saído de uma conta da instituição.

Há dois anos, toda a administração do Banif foi alterada na tentativa de melhorar a operação no Brasil. Dados do Banco Central brasileiro apontam que a instituição teve prejuízo de cerca de R$ 4 milhões no primeiro trimestre. Em 2015, porém, gerou lucro de R$ 75 milhões. O total de ativo era de R$ 891 milhões no ano passado, enquanto os depósitos somavam R$ 400 milhões.

Bônus

Ao fechar acordo com o fundo garantidor e pagar os R$ 2 bilhões que ainda deve ao FGC, os executivos e sócios do banco terão finalmente liberado o pagamento dos bônus referentes a 2015. Uma das condições imposta pelo FGC era o bloqueio desses pagamentos até a quitação da dívida.

O negócio com o Banif também é visto por boa parte dos conselheiros do FGC como vantajoso para o próprio fundo. Se o Banif quebrar, o FGC teria de desembolsar cerca de R$ 200 milhões para fazer frente aos depósitos garantidos pelo fundo. Além disso, a negociação prevê que taxas mais vantajosas e extensão de pagamentos para outros débitos que o BTG tem com o FGC. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.