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FMI pressiona zona do euro a conceder alívio da dívida à Grécia até 2040

O Fundo Monetário Internacional (FMI) quer que a zona do euro conceda à Grécia o direito de não pagar os juros nem o principal de sua dívida até 2040, disseram autoridades ligadas às negociações.

De acordo com a proposta, o fundo quer que os empréstimos da Grécia comecem a vencer gradualmente nas próximas décadas até 2080. A taxa de juros dos empréstimos da zona do euro seriam fixadas pelos próximos 30 ou 40 anos no atual patamar de 1,5%, sendo que seu pagamento seria adiado até o início do pagamento do principal.

A proposta foi apresentada por governos da zona do euro na semana passada, e manteria as despesas do país com o serviço da dívida abaixo de 15% de seu Produto Interno Bruto (PIB) dentro do cenário relativamente pessimista do fundo para a trajetória de longo prazo da economia grega. Um dos negociadores da equipe da zona do euro descreveu a proposta como "bastante pesada", vários degraus acima da ajuda que os credores europeus estariam dispostos a conceder à Atenas.

Os governos da região, liderados pela Alemanha, estão relutantes em conceder uma concessão dessa magnitude à Grécia, cuja dívida total passa de 200 bilhões de euros, com outros 60 bilhões seriam acrescidos com a nova parcela do plano de resgate.

Berlim quer que o FMI se junte ao programa como credor. O fundo, no entanto, não se comprometeu com o programa de resgate da Grécia assinado no ano passado. No ano passado, a chanceler Angela Merkel prometeu ao Bundestag, o parlamento alemão, que a Europa iria discutir novos desembolsos à Grécia apenas caso o FMI se junte ao programa de resgate.

Para Merkel e seu entorno, sem o FMI, a zona do euro não terá capacidade de pressionar a Grécia a aprovar as reformas necessárias para transformar sua economia. A Comissão Europeia, que supervisiona o programa de resgate financeiro junto com o fundo, é visto em Berlim como muito 'bonzinho' com a Grécia. Países como a Finlândia e a Holanda também pedem a inclusão do FMI como credor.

O governo dos Estados Unidos pressiona tanto o FMI como a zona do euro a se comprometerem com um alívio da dívida que permita a inclusão do fundo no programa de resgate. Washington quer evitar uma situação de desgaste como a que aconteceu em 2015, durante a crise da dívida da Grécia, quando o país esteve próximo de um calote e da saída da zona do euro.

Um dos problemas com a proposta do FMI de manter baixos os juros da dívida grega por décadas é que os veículos de resgate europeus, como o Mecanismo Europeu de Estabilidade (ESM, na sigla em inglês), precisariam receber subsídios dos membros do bloco para cobrir parte de seus fundos. A equipe do FMI "gosta de soluções que implicam em transferências orçamentárias", resumiu uma autoridade europeia. Fonte: Dow Jones Newswires.