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'Foi feita a festa, mas a conta chegou', diz presidente da Cosan

"Foi feita a festa. A conta chega e é preciso pagá-la", diz o empresário Rubens Ometto Silveira Mello, presidente do conselho de administração da Cosan, um dos maiores grupos de energia e infraestrutura do País, referindo-se à gestão da presidente Dilma Rousseff. Mas, para Ometto, os sinais do governo de Michel Temer indicam retomada da economia do País. "Temer é do ninho político e terá condições para conduzir os ajustes necessários para que o País retome o crescimento". A seguir, os principais trechos da entrevista.

Com o impeachment, o cenário é mais positivo para economia?

É uma decisão que tinha de ser tomada. Os empresários precisavam de uma definição mais clara sobre a economia.

O que deu errado na gestão de Dilma Rousseff?

Foram dois aspectos. O primeiro, o viés ideológico, de intervenção do Estado. Quando se tem uma economia liberal, há concorrência livre, salutar ao mercado. Havia uma política de controle de preços. A outra questão está atrelada à gestão, que foi mal conduzida, com o governo gastando muito, inchando o Estado.

Os sinais de recuperação agora estão mais claros?

Acredito que sim. Os movimentos do atual governo são mais claros, com maior participação da iniciativa privada e de redução do Estado na economia. Fui um dos primeiros a criticar a intervenção do governo nos preços dos combustíveis (em maio de 2014, ao receber o prêmio de empresário do ano em Nova York, Ometto fez duras críticas a Dilma).

Mas o sr. tinha uma boa interlocução com a presidente...

Tive uma boa relação pessoal. Ela tem personalidade forte.

E sua relação com Michel Temer? Já esteve com ele e acredita que o diálogo será maior?

Estive pessoalmente com Temer um mês depois de ele assumir (o governo interino). Fui falar e ouvi-lo, me colocar à disposição para ajudar.

O sr. acredita que Temer conduzirá bem as reformas?

O que é importante dizer é que Temer é do ninho político. Significa que ele gosta de política e tem uma boa relação com todos e sabe como agir. Dilma não gostava de políticos, o que dificultava a aprovação dos projetos (no Congresso). Ele tem uma equipe que sabe trabalhar bem politicamente e isso fará com que tenha condições de fazer as reformas necessárias.

E quais são as reformas necessárias?

Tributária, da Previdência e trabalhista. Nosso País é um inferno. Se todos chegam a um acordo (trabalhista, por exemplo), um decisão de um juiz muda tudo. A terceirização é saudável. Veja o caso das montadoras. Elas não produzem. Montam carros. Temer tem a oportunidade de fazer história no País porque se comprometeu a não se reeleger.

O sr. é considerado um empresário ousado. O empresário precisa ser ousado para voltar a acreditar hoje no Brasil?

Esse negócio de ousadia é relativa. Depende de quem faz bem a conta. Eu sempre fui tido como ousado e meus negócios deram certo. Duro é ser ousado como Eike Batista (Grupo X) e Ricardo Mansur (Mesbla), que quebraram. Tem de fazer a conta bem feita e gerir bem o que você faz.

O sr. se sentiu representado pela campanha do pato (da Fiesp)?

Não liguei para aquilo. Nem 8 nem 80. Foi feita a festa e a conta chega. O problema é ter eleito o dono da festa. Agora tem que se adaptar ao orçamento. O que quero dizer com isso? O aumento de imposto, se houver, tem de ser feito de maneira muito bem dirigida, com início, meio e fim. Se não, em cinco anos, quebra de novo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.