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Há uma série de concessões paradas devido a regras irrealistas, diz BNDES

A presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) afirmou que diante da crise fiscal enfrentada pelo País não é possível fazer concessões apenas consistentes apenas com recursos públicos. Ao comentar o lançamento do Programa de Parceria de Investimentos (PPI), lançado na terça pelo governo federal, a executiva frisou que o BNDES trabalhará junto com o setor privado para viabilizar as novas concessões.

"Temos concessões paradas devido a regras irrealistas e funding que não foi estabelecido na largada", afirmou sobre os programas de concessão realizados no governo Dilma Rousseff.

Maria Silvia destacou que preferencialmente os financiamentos aos projetos serão feitos via emissão de debêntures, mas que não será possível financiar 80% com esses títulos de dívida na largada. Diante disso, o BNDES e a Caixa se propõem a entrar em um primeiro momento com 50% cada um no financiamento das debêntures para, mais tarde, repassá-las ao setor privado.

A presidente do BNDES admitiu que setores meritórios podem precisar de subsídios que podem ser concedidos desde que de forma transparente.

Eficiência

Maria Silvia Bastos afirmou que a prioridade no comando do banco é a busca por eficiência no financiamento de projetos de infraestrutura logística e urbana. Segundo a executiva, sua gestão está focada na revisão das políticas operacionais realizadas nos últimos anos para permitir a melhor estruturação financeira dos projetos de concessões anunciados pelo governo. Para tanto, Maria Silvia disse não ter "preocupação se o banco será menor no futuro".

Na abertura do Fórum Nacional, no Rio, Maria Silvia indicou que o momento econômico do País é um dos mais difíceis de sua história, com investimentos parados em função da crise de confiança e credibilidade. "Nos defrontamos de novo com a questão fiscal de forma muito grave, a inflação ainda é um problema, todos os indicadores retroagidos em pelo menos dez anos", resumiu a presidente. "O trabalho não vai ser simples nem rápido, mas temos que começar", completou.

Sobre o papel do BNDES na retomada do crescimento econômico, Maria Silvia indicou que não tem preocupação se o banco será menor no futuro. "Vou ficar muito feliz no dia que não tivermos nenhum recurso, por que significará que a economia se recuperou e que voltaremos ao mercado", afirmou. A presidente destacou que seu foco é a "eficácia" das ações desenvolvidas pelo banco.

"Estamos em um processo extenso de revisão, o que não quer dizer mudança", disse. Segundo ela, o BNDES está analisando todo os programas para "verificar onde têm sido efetivos ou não, e as politicas operacionais, condições de apoio a diversos setores". "Entendemos que nesse período o principal mandato é a questão da infraestrutura. É crucial para o que precisamos no Brasil, retomada de investimentos para geração e manutenção de empregos, competitividade", completou.

Saneamento

A presidente do BNDES indicou que se reunirá a partir da próxima semana com governadores interessados no programa de concessões na área de saneamento básico. Na terça o governo anunciou concessões em três empresas estaduais do setor no Rio de Janeiro, Roraima e Pará. A área de saneamento será o foco do programa estadual de concessões. Segundo Maria Silvia, a área de saneamento, resíduos sólidos e eficiência energética, ligados à infraestrutura urbana, ganharão prioridade nos financiamentos do banco.

"Nos reuniremos com todos os estados na próxima semana que têm demonstrado interesse nas concessões de saneamento. Muitos tem demonstrado interesse em ter suas empresas no programa e vamos discutir junto com o Ministério das Cidades e a Caixa", indicou a presidente.

Segundo Maria Silvia, o saneamento será prioritário entre as concessões estaduais, devido ao déficit de assistência nas cidades brasileiras. Ela destacou que o tema de infraestrutura urbana terá foco do banco por afetar a qualidade de vida e a produtividade no trabalho nas grandes cidades. "Teremos outros programas nas áreas de eficiência energética e resíduos sólidos. Sem saneamento e sem atacar problemas de resíduos não vamos avançar", sinalizou a presidente do BNDES.

Micro e pequenas

Maria Silvia ainda indicou que o banco deverá se aproximar de micro, pequenas e médias empresas, para permitir que o crescimento econômico se dissemine no País. "O banco sempre foi grande parceiro de grandes empresas e quer buscar ser cada vez mais banco de micro, pequenas e médias empresas. São elo fundamental crescimento e caminho para ele se espalhar. Estamos tentando aumentar capilaridade e ter mais acesso físico a elas", afirmou, sinalizando que poderá estimular investimentos com foco em energias renováveis, tecnologias e cidades inteligentes, além do apoio ao comércio exterior.