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Ibá: agenda apresentada ao governo inclui mais crédito e juros menores

Os representantes do setor privado que estiveram em Brasília para um primeiro encontro com o novo governo disseram ao presidente em exercício, Michel Temer, e à equipe econômica que não há mais espaço para aumento da carga tributária. O relato foi feito pela presidente-executiva da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), Elizabeth de Carvalhes, e segundo ela os cerca de 200 presentes, entre pessoas de associações e empresas, solicitaram, para o "curtíssimo prazo", queda de juros e aumento do crédito.

Elizabeth afirmou que não houve pedidos específicos para cada setor, mas sim uma agenda horizontal. Nesse sentido, de acordo com a executiva, os empresários se mostraram abertos a conversar sobre medidas que façam o Brasil retomar o crescimento, mas que o governo tem que corrigir o problema fiscal através do "aumento de eficiência e do corte severo de gastos, como todas as nossas empresas estão fazendo". "A indústria não tem mais capacidade de assimilar impostos adicionais", afirmou.

Ao mesmo tempo, a representante do Ibá, que classificou a situação da indústria nacional como de "calamidade" e afirmou que a situação do mercado é de "colapso", destacou que o setor privado pediu redução dos juros e irrigação do mercado de crédito. "Não temos como fazer programas de estímulo à demanda com juros a 14%", disse. "No caso do crédito, há liquidez, mas não há disponibilidade", continuou.

Ela argumentou que essas medidas são o "mínimo que precisamos para incrementar a venda de qualquer setor". Elizabeth afirmou que isso permitiria, ao menos, iniciar um processo de interrupção do aumento do desemprego. "Por enquanto, não vislumbramos uma parada do desempregar".

Ao ser questionada se cortar juros e aumentar o crédito não seria a mesma receita adotada pelo governo anterior e que resultou em alguns dos problemas enfrentados atualmente, a executiva do Ibá disse tratar-se de ações emergenciais, de curtíssimo prazo, sem as quais "há risco de quebradeira geral". "Não há como parar a rota de desemprego, se não houver consumo. A única maneira de se recuperar economia é gerar consumo", sentenciou.

Ela também afirmou que não houve um compromisso formal por parte do governo de não aumentar impostos, mas disse acreditar que a equipe econômica sabe que o problema fiscal terá que ser resolvido como nas empresas, "com ganho de eficiência e corte de gastos". "As grandes companhias, como Fibria, Suzano, Klabin, fazem corte de custos todos os anos", exemplificou. "Não há espaço para mais tributos, de nenhuma forma."

Exportação

A presidente do Ibá disse que o setor privado lembrou ao governo sobre a importância das exportações neste momento. Por isso, ao lado do câmbio favorecido, houve um pedido por uma política de estímulo à exportação. "Não houve ainda discussão sobre como constituir essa política, mas vamos fazer esse debate", contou. Segundo ela, esse tem que ser um programa de "ajuda imediata, um programa específico de auxilio às nossas exportações". Elizabeth lembrou da importância das exportações para o Brasil neste momento e exemplificou com o setor de papel e celulose, que, segundo ela, aumentou as vendas externas e tem sido ajudado por isso.

Ao falar sobre uma agenda específica do setor, que segundo Elizabeth ainda será endereçada ao novo governo, ela defendeu uma reavaliação da legislação trabalhista, melhora da infraestrutura e da segurança jurídica, incluindo a demarcação de terras indígenas e de quilombolas, bem como o tratamento isonômico ao capital nacional e estrangeiro. "As grandes multinacionais não estão deixando de investir. Elas estão simplesmente direcionando investimentos do Brasil para outros mercados", afirmou.