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Ibovespa segue mau humor externo, realiza lucros e cai 3,71%

A Bovespa acompanhou a tendência internacional e deflagrou um forte movimento de realização de lucros nesta sexta-feira, 9, que levou o Índice Bovespa a uma queda de 3,71%, aos 57.999,72 pontos. Foi a maior baixa porcentual em um único dia desde 2 de fevereiro. Na raiz desse comportamento estiveram as declarações do presidente do Federal Reserve (Fed) de Boston, Eric Rosengren, pela manhã. O dirigente causou estragos nas bolsas de todo o mundo ao defender um aperto monetário gradual nos Estados Unidos. Rosengren não sinalizou quando acha apropriado iniciar o ciclo de aumentos de juros, mas disse que esperar demais para elevar os juros pode gerar desaceleração "mais pronunciada" da economia do país.

As declarações fizeram crescer as apostas de que o aperto possa ocorrer já em setembro e também aumentaram a aversão a ativos de risco. O dólar se fortaleceu contra as principais moedas fortes e emergentes, as bolsas americanas caíram com força e as commodities perderam valor. No caso do petróleo, a correção ainda foi reforçada pela divulgação de um aumento acima do esperado no número de poços e plataformas em atividade nos Estados Unidos.

A queda do Ibovespa tornou-se mais pronunciada no período da tarde, quando renovou sucessivas mínimas, chegando até os 57.961 pontos (-3,77%). O recuo foi generalizado, mas teve como destaques as blue chips ligadas a commodities, como Petrobras (-5,43% na ON e -4,99% na PN) e Vale (-5,23% na ON e -4,73% na PNA). Ações de bancos também tiveram baixa maior que a média do mercado, sendo lideradas por Bradesco PN (-5,53%).

Vale lembrar que a bolsa brasileira vinha renovando suas máximas no ano e uma correção já era cogitada nas mesas de operação. Com a onda de aversão a risco pelo mundo, esse movimento teve ganhou mais força. Entre as 58 ações que compõem a carteira teórica do Ibovespa, apenas duas escaparam da queda. Fibria ON (+2,90%) e Suzano PNA (+0,93%), papéis de empresas exportadoras, acompanharam a valorização de 1,99% do dólar, o que significa maior receita de vendas para empresas do setor. Já a maior queda do índice foi de Cemig PN (-7,41%), que refletiu ainda a notícia da antecipação de pagamento para a Renova Energia, com a qual a estatal mineira tem contratos para compra de energia.