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Inadimplência deve aumentar, prevê Itaú Unibanco

A continuidade do aumento do desemprego no País e o cenário de restrição para as empresas devem elevar os índices de inadimplência no próximo trimestre, projetou na segunda-feira, 30, o Itaú Unibanco em reunião com investidores. Diante disso, a instituição deve manter as reservas em seu balanço para possíveis perdas (as chamadas provisões) realizadas até o momento.

O Itaú Unibanco encerrou o primeiro trimestre com R$ 36,036 bilhões em provisões. "A retração nas provisões não está no cenário nos próximos meses", disse o diretor de relações com investidores do Itaú Unibanco, Marcelo Kopel, em reunião promovida pela Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec) no Rio.

Segundo Kopel, o banco elevou o ritmo de provisões nos últimos trimestres por enxergar uma "economia mais desafiadora" e também devido ao aumento no índice de atrasos na carteira de crédito. O ritmo das provisões, contudo, pode diminuir nos próximos períodos.

No futuro, o executivo acredita que será possível reduzir o montante reservado para possíveis perdas. "À medida que a economia vai sendo retomada, e vemos sinais de que isso pode acontecer no segundo semestre e com intensidade maior em 2017, a economia vai poder girar mais. Com carteiras crescendo mais, abre-se espaço para provisão menor", afirmou.

"Mas ainda não podemos dizer quando isso vai acontecer. O cenário é de economia começando a melhorar lentamente", ressaltou Kopel.

Embora em trajetória crescente, a inadimplência deve seguir aumentando "de uma forma controlada", apontou o executivo. No primeiro trimestre de 2016, o índice total de inadimplência, para atrasos entre 15 e 90 dias, ficou em 3,1%, ante 2,9% em igual período do ano passado. Nos atrasos superiores a 90 dias, o índice ficou em 3,9%, ante 3,0% na mesma base de comparação.

Essa alta está em linha com o cenário de maiores restrições para empresas e também de elevação no desemprego, que compromete a renda das famílias, disse Kopel. Neste ano, a expectativa do Itaú é de que a taxa de desemprego chegue a 12,5%. Em 2017, deve ficar em 13%.

Concessões

A nova rodada de concessões que o governo do presidente em exercício Michel Temer pretende tirar do papel deve abrir grande oportunidade no mercado de capitais. Os bancos privados, contudo, tendem a ter participação menor nos financiamentos, provavelmente focados na fase inicial dos projetos. Os financiamentos de longo prazo deverão ficar a cargo de investidores institucionais, como fundos.

"Temos oportunidade grande no mercado, onde os bancos têm papel importante, mas principalmente na fase pré-operacional", disse Kopel. "O mercado de capitais tem uma fantástica oportunidade para se desenvolver no País."

Impeachment

O presidente do Itaú Unibanco, Roberto Setubal, afirmou em mensagem gravada para investidores do banco que o processo de troca de governo ocorreu "de forma organizada, ordenada, de acordo com o que está previsto na nossa Constituição". O executivo ainda destacou que a mudança renovou as esperanças para a retomada mais rápida do crescimento econômico.

"O que o País fez foi seguir a Constituição. E isso é uma consolidação muito forte da nossa democracia", disse Setubal no vídeo que foi transmitido durante reunião da Apimec no Rio.

O presidente do Itaú Unibanco ressaltou que os políticos que votaram a abertura de processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff (PT), agora afastada, "fizeram as escolhas que tinham de fazer". Com a decisão de afastá-la por até 180 dias, assumiu o presidente em exercício Michel Temer (PMDB).

"Nossas esperanças se renovam. O Brasil abre perspectivas positivas, uma animação maior com relação às possibilidades de voltar a ter um crescimento econômico de forma mais rápida", afirmou o executivo. O Itaú, segundo ele, está pronto para colaborar com as políticas que o novo governo vier a implementar.

Recentemente, o novo governo anunciou Ilan Goldfajn como presidente do Banco Central. Ele era economista-chefe do Itaú. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.