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Indústria de confecção infantil de Terra Roxa ganha mercado e exporta aos Estados Unidos

Pertencente ao Arranjo Produtivo Local (APL) Moda Bebê do município, apoiado pelo Sebrae/PR, Paraíso Moda Bebê concretiza primeira exportação em solo norte-americano; área comercial é considerada como uma das mais exigentes do mundo

A ideia de exportação vinha de longa data e a empresa começava a se preparar para as exigências do mercado externo. “Começamos com as remessas ao Mercosul, via Paraguai. Mas, há cerca de um ano, uma cliente brasileira veio com a ideia de montar uma distribuidora com a nossa marca nos Estados Unidos. Foi o início do amadurecimento da ideia, já que sabíamos que o país tem um dos mercados mais exigentes do mundo”, conta Rafael Carvalho, diretor-administrativo da Paraíso Moda Bebê, indústria têxtil em Terra Roxa.

De acordo com o consultor do Sebrae/PR, Marcos Uda, a Paraíso Moda Bebê foi uma das empresas identificadas com potencial de exportação para o país norte-americano. “Há um ano e meio, o Sebrae/PR deu início a um projeto para estimular a exportação de pequenas empresas brasileiras em parceria com a Small Business Development Center (SBDC) – uma instituição que atua como o Sebrae nos Estados Unido. Neste projeto, a Paraíso foi evidenciada com alto potencial, tendo em vista que já cumpria todas as normas da ABNT, por exemplo.”

Mesmo assim, ainda se faziam necessárias adequações que foram estimuladas pelo projeto do Sebrae/PR, que encerrou no ano passado, e outras instituições de fomento à exportação. 

“O mercado americano é exigente em relação a normas, tecidos, modelagens ou etiquetas que implicam em informações que não são necessárias em outros mercados. Não é fácil conseguir atender essa série de padrões e a Paraíso o fez, inclusive, em tempo recorde, visto que a maioria dos processos de exportação ao país demora cerca de dois anos”, explica Marcos Uda.

Hoje, a Paraíso Moda Bebê já prepara a entrega de um segundo lote e mercadorias ao país. “Começamos a fabricar as 3,5 mil peças do primeiro pedido no início deste ano, a entrega foi finalizada em maio. Agora, a indústria já confecciona o mesmo montante em produtos para que sejam despachados para Miami ainda dentro do mês de agosto. Estamos muito satisfeitos, pois foi algo planejado e a perspectiva é de um crescimento ainda maior para 2017”, destaca Rafael Carvalho.

Processo

Além das normas e padrões de exigência, a empresa exportadora precisa de um departamento de comércio exterior, que pode ser interno ou externo, para efetivar as transações. A indústria de moda bebê de Terra Roxa optou por contratar uma empresa especializada nesse processo e quem acompanhou todo o trâmite, desde a consultoria para adaptação e preparação da indústria até a negociação e logística com o distribuidor no exterior, foi a consultora credenciada ao Sebrae/PR e diretora comercial da Akon, Ligia Regina Pereira.

“Uma das maiores dificuldades da empresa brasileira é conseguir um cliente nos Estados Unidos. A concorrência lá é grande, principalmente com empresas chinesas. Esse obstáculo a Paraíso já havia ultrapassado, pois a comercialização se deu com uma pessoa que já era cliente da marca no Brasil. O fato de a empresa já estar bem estabelecida no mercado interno também colaborou para diminuir os erros e tempo do processo de exportação”, observa Ligia Pereira.

Entretanto, na avaliação da consultora, o que mais fez a diferença para a conclusão da primeira exportação da indústria aos Estados Unidos foi a disposição dos dirigentes em investir no mercado internacional. 

“Sem dúvida, o que mais diferencia uma boa negociação em comércio internacional é a abertura da empresa para o novo mercado, pois é como se ela estivesse começando a empresa do zero, pois são outros padrões, outros clientes. E, nisso, a experiência com a Paraíso também foi positiva, pois encontrei uma empresa aberta a investir naquele novo mercado”, salienta.

Modelo

Marcos Uda, do Sebrae/PR, enfatiza que o mercado externo é ótima alternativa para muitas empresas brasileiras, basta que haja vontade e preparação. “O que aconteceu com a Paraíso também serve de exemplo para as outras indústrias do APL Moda Bebê de Terra Roxa. 

Eles aproveitaram uma oportunidade de mercado, foram atrás de cumprir com as exigências do mercado que almejavam e aumentaram as vendas. É uma indústria de vanguarda, um referencial que serve de estímulo para que outras despertem ao processo de exportação”, frisa.

Segundo Rafael Carvalho, o esforço e investimento valem a pena. “O tíquete médio de compras que temos de grandes atacados brasileiros é de cerca de 1,2 mil peças por pedido.

 Com esse importador nos Estados Unidos, o volume foi quase três vezes maior e já estamos no segundo pedido. Nossa projeção é que, a partir do próximo ano, pelo menos 5% da nossa capacidade de produção seja destinada a outros países. Além do Mercosul e dos Estados Unidos, já estamos em negociação com o Japão e Panamá”, comemora.

Colaboração: Assessoria