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Indústria opera 21,6% abaixo do pico registrado em junho de 2013, diz IBGE

Foto: Arquivo ABr - Indústria opera 21,6% abaixo do pico registrado em junho de 2013, diz IBGE
Foto: Arquivo ABr

A crise na indústria brasileira, que reduz mês a mês o ritmo de produção, já faz o setor operar atualmente no mesmo patamar de dezembro de 2008, época da crise financeira internacional, segundo dados da Pesquisa Industrial Mensal - Produção Física, divulgados nesta sexta-feira, 1º de abril, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"Mês a mês a gente vem observando um distanciamento do patamar de produção em relação ao seu ponto mais elevado da série", afirmou André Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do IBGE.

A produção industrial já está 21,6% abaixo do pico registrado em junho de 2013. Embora o avanço de 0,4% de janeiro ante dezembro tenha interrompido uma sequência de sete meses de quedas, o recuo de fevereiro foi ainda mais acentuado, -2,5%.

"O saldo negativo dos últimos meses é bastante expressivo. Foram sete meses de taxas negativas, quando a indústria acumulava uma perda de 9,1%. É um saldo negativo importante. Com a entrada desse -2,5% em fevereiro, acentua-se ainda mais a distância que a indústria ficou do seu pico de produção", notou Macedo.

Efeito calendário

O efeito calendário influenciou o resultado do índice de difusão da indústria nos dois primeiros meses do ano. O porcentual de produtos com queda na produção teve ligeiro recuo na passagem de janeiro para fevereiro, por conta da ocorrência de um dia útil a mais em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados da pesquisa do IBGE.

O mês de janeiro, que teve um dia útil a menos do que em 2015, registrou 77,5% dos produtos industriais investigados com queda na produção. Já o mês de fevereiro, com um dia útil a mais em 2016 ante 2015, teve 67,8% dos itens com recuo na produção.

"Há redução do porcentual de produtos em queda, mas o resultado ainda é amplamente negativo. Há uma melhora para o mês de fevereiro muito explicada pela questão do efeito calendário, de fevereiro ter tido um dia útil a mais que fevereiro do ano passado. Em janeiro foi o efeito contrário, janeiro de 2016 teve um dia útil a menos que janeiro de 2015", ressaltou André Macedo.

O índice de difusão, que mostra o porcentual de produtos com avanço na produção, saiu de 21,9% em janeiro para 31,4% em fevereiro. "Mas essa ligeira melhora não significa que haja reversão no quadro. Porque a maior parte dos produtos tem claramente comportamento negativo", concluiu o pesquisador.