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Indústria paulista pressiona por redução na tarifa de gás

Um ano após o tarifaço de energia, a indústria paulista faz pressão para reduzir o preço do gás natural, um dos maiores insumos do setor. Com a queda do preço do petróleo no mercado internacional, calcula-se que há espaço para reduzir em até 23% a tarifa do gás para as empresas e 5% para residências.

A mobilização ocorre um mês antes do reajuste da Comgás, principal distribuidora do Estado, responsável por 177 municípios da Região Metropolitana de São Paulo, Campinas, Vale do Paraíba e Baixada Santista que somam 27% do PIB.

A Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace) questionou oficialmente a Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp) sobre o reajuste anual da Comgás, que terá validade a partir de 31 de maio.

Há uma preocupação de que a redução do preço seja inferior ao alinhamento dos preços internacionais de petróleo, que servem de base para a tarifa, comprometendo o caixa das indústrias justamente em um momento de recessão e dificuldades de obtenção de crédito.

Se esse cenário não for considerado, a Comgás poderá embolsar R$ 1 bilhão a mais nos próximos 12 meses, de acordo com o presidente da Abrace, Paulo Pedrosa. Essa seria a arrecadação da Comgás caso o reajuste considere apenas a variação do preço do petróleo nos últimos dois meses. A Abrace defende, porém, que o processo leve em conta a projeção de comportamento dos preços do petróleo nos próximos 12 meses, que tem um viés de baixa.

As empresas dizem que gastos com energia representam 40% do custo das empresas. De acordo com a Abrace, todo o setor industrial paulista desembolsou R$ 4,9 bilhões em 2015. No mercado, há uma expectativa de que a Arsesp autorize uma queda de 10% na tarifa do gás em São Paulo. Se isso se confirmar, o preço do insumo continuará superior ao praticado no exterior por mais um ano.

Procurada, a Comgás disse que não se pronuncia sobre o processo de reajuste. A Arsesp informou que não comenta previsões nem faz estimativas sobre reajustes futuros para evitar especulações no mercado. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.