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Inflação baixa, estável e previsível é melhor fator para crescimento, diz BC

O diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Viana de Carvalho, reafirmou o papel do controle dos preços no início da apresentação à imprensa do Relatório Trimestral de Inflação. Ao iniciar a apresentação, o diretor defendeu que "a inflação baixa, estável e previsível" compõe a melhor contribuição da política monetária para o crescimento sustentável da economia.

Viana reforçou que a inflação elevada gera distorções, aumenta riscos, encurta horizontes, prejudica investimentos e o crescimento econômico. Além disso, o diretor notou que a inflação alta é regressiva - por prejudicar os mais pobres - e reduz o crescimento potencial com impacto negativo na geração de empregos e renda.

No início da apresentação, o diretor mencionou ainda que apresentará algumas mensagens principais. Entre elas, destacou as evidências compatíveis para o cenário básico do Comitê de Política Monetária que mostram desinflação, mas com ritmo ainda incerto.

Essa explicitação dos fatores relevantes para a flexibilização da política monetária criará maior confiança no alcance das metas no horizonte relevante para a política monetária, disse o diretor.

Outra mensagem é que o horizonte da política monetária não é estático e segue o calendário aprovado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O diretor explicou que não há momento "de alongamento do horizonte" para o BC. O horizonte avança contínua e gradualmente. Viana repetiu ainda que as avaliações do BC são "subjetivas, mas sempre calcadas em evidências sólidas sobre os fatores relevantes".

Focus

O diretor de Política Econômica do Banco Central afirmou que, no período recente, a inflação veio acima das projeções apuradas pela pesquisa Focus. Ao mesmo tempo, Viana afirmou que as expectativas da pesquisa Focus seguem apontando para a desinflação nos trimestres e nos anos à frente. "Mas ainda há dúvidas sobre a velocidade desta desinflação", acrescentou.

Em 2018 em diante, afirmou Viana, notam-se projeções de inflação de 4,5%. Isso ocorre mesmo em 2019 e 2020, anos em que, como lembrou o diretor, não há ainda estabelecida uma meta de inflação.

Horizonte relevante

Viana reiterou que o horizonte relevante das ações de política monetária não é estático. Essa afirmação constou, aliás, no próprio RTI divulgado nesta terça.

"Dentro dessa estratégia, à medida que avançam os meses, as ações de política monetária passam a dar maior importância, de maneira gradual, para períodos igualmente à frente", comentou Viana.

Ele citou ainda que a queda nos preços dos alimentos no atacado tem se transmitido para o varejo. Segundo ele, os alimentos parecem mostrar maior segurança na reversão do choque de preços. "De fato, uma parte da resistência recente da queda da inflação parece ter sido provocado por choques temporários de alimentos", afirmou Viana. O diretor citou ainda sinais positivos no encaminhamento e apreciação das reformas fiscais.

Projeções

O Banco Central passa a publicar projeções oficiais para a inflação nos três meses à frente no Relatório de Inflação. No documento divulgado nesta terça-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) prevê Índice de Preços ao Consumidor Amplio (IPCA) de 0,19% no mês de setembro.

Para os meses seguintes, o BC prevê IPCA de 0,40% em outubro e alta do índice oficial de inflação de 0,45% no mês de novembro. Por essa projeção, o Copom trabalha com expectativa de alta acumulado do IPCA de 7,54% nos 12 meses até novembro. "O relatório passará a publicar a revisão da inflação dos últimos três meses e a expectativa para os três meses à frente", disse o diretor de política econômica do Banco Central, Carlos Viana de Carvalho.

"O número de dezembro sai por resíduo. Não se retrata de não querer mostrar dezembro", disse, ao comentar que é possível saber o número do último mês do ano ao subtrair da previsão do IPCA para o ano prevista no cenário de referência. Viana explicou que sempre serão divulgadas os três meses à frente.

O documento também divulgou a previsão para os três meses anteriores: junho com 0,35%, julho com 0,20% e agosto com 0,28%. O IPCA observado foi, respectivamente, de 0,35%, 0,52% e 0,44%. Ou seja, houve erro de zero em junho, previsão 0,32 ponto abaixo do registrado em julho e 0,16 ponto inferior ao observado em agosto.

Decisões

O diretor de Política Econômica do Banco Central explicou que nenhum dos fatores individuais para determinar os próximos passos da política monetária será suficiente individualmente para criar confiança suficiente sobre o processo de desinflação. Para Viana, não há "evento mecânico" que determinará decisão do Copom.

"Nenhum dos fatores por si só suficiente para que o comitê tenha confiança suficiente de que processo de desinflação esteja adequado. Isso é baseado em fatores concretos", disse o diretor em entrevista coletiva para apresentar o Relatório de Inflação.

"Podemos ter sinais no processo mais positivos ou menos positivos dependendo da forma que esse processo se dá. Então, são esses elementos que tornam impossível qualquer atrelamento a um evento específico", disse. "Não há como tomar decisão sobre evidência mecânica. O julgamento é baseado em evidências."