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Inflação medida pelo IGP-M em 12 meses pode ficar em um dígito, avalia FGV

A tendência da inflação medida pelo Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) em 12 meses é continuar a desacelerar, podendo abandonar os dois dígitos em outubro. A avaliação é de Salomão Quadros, superintendente adjunto para Inflação do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), feita ao comentar o dado de setembro, divulgado na manhã desta quinta-feira, 29.

O IGP-M de setembro acelerou para 0,20%, após 0,15% em agosto. Trata-se do terceiro mês seguido que a taxa fica nessa faixa. Já a variação acumulada em 12 meses até setembro foi de 10,66%. A última vez que a taxa esteve abaixo dos dois dígitos foi em setembro de 2015, quando marcou 8,35%.

Na avaliação de Quadros, três fatores devem contribuir para a acomodação do IGP-M mensal: ausência de pressão forte gerada pelo dólar, expectativa de grandes safras de commodities agrícolas no mercado internacional, principalmente de soja e de milho, e o fim da influência negativa do fenômeno climático El Niño. "O IGP-M deve continuar nessa trajetória estável com pequenas oscilações", disse. "Já tivemos três taxas próximas de 0,20%", destacou.

No IGP-M de setembro, com 60% do peso no índice, o avanço do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) teve maior contribuição para o resultado total. Dentro do IPA, o grupo que mais gerou pressão para cima foi o de matérias-primas brutas, com destaque para o minério de ferro e para a soja.

Quadros, no entanto, não demonstra preocupação com esses itens. Segundo ele, o minério de ferro vai continuar oscilando, conforme a atividade econômica da China, que demanda bastante o material. Sobre a soja, a desaceleração do ritmo de queda para 0,02% em setembro reflete uma recuperação dos níveis normais de preço, após a diminuição das incertezas sobre a colheita nos Estados Unidos, e deve, agora, mostrar estabilidade.

A boa safra da soja, do trigo (queda de 8,14% em setembro) e do milho (recuo de 6,43% no mês) é um sinal de que a inflação dos alimentos deve continuar arrefecendo nos próximos meses, afirmou Quadros. "O cenário de commodities agrícolas sustenta desaceleração da inflação de alimentos. Quando cair na cesta do consumidor, o pão e o macarrão, ela vai vir mais barata ou pelo menos com uma maior desaceleração nos preços."

Também contribui para o prognóstico positivo dos preços dos alimentos o resultado dos alimentos in natura, como a batata inglesa, que aprofundou a queda nesse mês, mamão e ovos. "Esses itens indicam que a inflação de alimentos não deve ter mais um impacto explosivo", disse Quadros.

Ele fez um alerta, no entanto, em relação à carne bovina, que apresentou alta de 4,97% no atacado em setembro. Segundo ele, "com a recuperação da economia, o preço pode se elevar ainda mais".

No Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que desacelerou de 0,40% para 0,16% entre agosto e setembro, a principal contribuição para baixo veio do grupo Alimentação, com destaque para laticínios (-1,39%). Quadros comentou que a perda de força deve ser mais forte nos próximos meses, já que os alimentos in natura, em queda no IPA, ainda não manifestaram recuo forte no IPC.

Os combustíveis também impactaram em baixa o IPC, com queda da gasolina (-1,13%) e do etanol (-0,59%). Em contrapartida, a tarifa de energia elétrica contribuiu para cima, mas, segundo Quadros, o movimento é só uma normalização dos preços, após queda forte. Na parte de Vestuário, que também acelerou, o impacto foi sazonal, afirmou o economista, e não há motivo para preocupação.

Com relação ao Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), a aceleração de 0,26% para 0,37% também reflete um cenário pontual de reajuste de salários anual da mão de obra. Segundo Quadros, esse indicador deve continuar relativamente estável, visto que o setor de construção ainda deve demorar a se recuperar.