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Intervenção do BC no câmbio em apenas uma semana foi a maior já registrada

O Banco Central fez nesta semana sua maior atuação no mercado financeiro em um período de tempo tão curto. Para evitar uma queda mais forte do dólar, movimento puxado pela percepção de investidores de que o impeachment da presidente Dilma Rousseff ficou mais próximo, o BC comprou US$ 24 bilhões desde segunda-feira, um volume nunca antes visto, segundo o economista Nathan Blanche, da Tendências Consultoria.

Como resultado, o BC conseguiu pelo menos estabilizar a moeda na faixa próxima dos R$ 3,50. Nesta sexta-feira, 15, o dólar chegou até mesmo a subir, fechando em R$ 3,5263. Sem a atuação do BC, segundo analistas, poderia ter caído para uma faixa entre R$ 3,20 a R$ 3,30. Além disso, o BC conseguiu também elevar as reservas cambiais do País, o que pode ajudar na melhor percepção de risco.

Com as operações, o Banco Central ainda obteve um lucro de US$ 2 bilhões. Isso porque o banco usou os swaps cambiais que tinha em carteira. Esses swaps são contratos do mercado financeiro que replicam o dólar e geram ganhos e perdas na medida em que a moeda sobe ou desce.

Os contratos usados agora pelo BC replicavam o dólar do início do ano, mais alto. Ao fazer o leilão desses contratos, com a cotação em queda, acabou ganhando. Pelas contas de Blanche, os ganhos pela diferença cambial estão na faixa dos 8%, o que daria US$ 2 bilhões em apenas cinco dias. "Nelson Barbosa conseguiu nesta semana o que esperava ganhar com a CPMF este ano", disse Blanche.

O economista diz isso porque qualquer ganho do Banco Central é registrado na conta do Tesouro Nacional e vai ajudar nos resultados fiscais do governo. Os swaps cambiais do BC influenciam também na conta de reservas cambiais do País, que garantem que existe dinheiro para pagar a dívida externa.

Estoque

O economista-chefe do Citibank, Marcelo Kfoury, diz que as reservas hoje do País são de US$ 388 bilhões, mas ficavam reduzidas em US$ 100 bilhões - que era o estoque de swaps que o BC tinha até o fim do ano passado. Somente nesta semana, o BC melhorou em US$ 20 bilhões as reservas cambiais. O risco país acompanhou o movimento. O seguro contra calote medido pelo CDS caiu para 341 pontos. No ano passado era de 500 pontos e na semana passada, estava acima de 370.

A atuação do BC também foi considerada acertada porque, no cenário de que não haja impeachment da presidente Dilma, o banco sai ganhando. Se o dólar disparar, os swaps começam a gerar perdas. As operações do BC também ajudaram empresas que tinham contratos que apostavam na alta do dólar e precisavam desfazer suas posições, já que a possibilidade de queda da moeda se acentuou. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.