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Investimentos da Fibria quadruplicam e totalizam R$ 1,436 bi no 1º trimestre

Os investimentos da Fibria ao final do primeiro trimestre de 2016 somaram R$ 1,436 bilhão, um valor quatro vezes acima do mesmo período do ano passado, quando havia ficado em R$ 356 milhões.

Deste total, R$ 921 milhões foram destinados para a expansão da empresa, sendo a maior parte (R$ 896 milhões) para o crescimento industrial da fábrica de Três Lagoas (MS), cujo projeto é denominado Horizonte 2, e R$ 22 milhões para a expansão florestal da mesma fábrica.

Para manutenção foram destinados R$ 400 milhões e para logística de celulose, R$ 115 milhões.

Sobre a expansão da fábrica de Três Lagoas, cuja conclusão está prevista para 2017, a Fibria informou, no informe de resultados, que o avanço físico atingiu 27% ao final do primeiro trimestre de 2016, com o início da interação entre construção civil e montagem eletromecânica das obras industriais. "A área florestal avançou no plantio em linha com o planejado destacando-se ainda o avanço da terraplenagem e início da montagem do novo viveiro de mudas 100% automatizado", comunicou a Fibria.

Resiliência

O diretor-presidente da Fibria, Marcelo Castelli, revelou que os custos da empresa estão próximos a um momento de resiliência. "Estamos sim chegando a um momento de resiliência e a tendência nos próximos anos é voltar a um patamar melhor", disse em conversa com jornalistas, realizada na manhã desta quarta-feira.

O custo caixa de produção de celulose da Fibria no primeiro trimestre de 2016 foi de R$ 699 por tonelada, o que representou um crescimento de 22% contra o primeiro e de 6% ante o quarto trimestre de 2015.

Já o custo do produto vendido (CPV) teve uma queda de 13% contra o trimestre exatamente anterior, em função em grande parte do menor volume vendido e da redução na despesa de frete com ajuste de bunker, devido à queda do preço do petróleo.

Celulose para a China

O preço da celulose comercializada na China atingiu o piso, afirmou Castelli. "O menor preço de comercialização na China já foi atingido, tanto que a demanda já voltou".

A Fibria não revela o preço médio praticado na China, mas Castelli disse que no caso da empresa a queda foi menor do que a vista no mercado. "Não damos o preço médio, mas digo que fomos menos afetados e a demanda voltou em março. Após o Ano-Novo chinês, o país voltou às compras", disse ele, complementando que em abril as vendas para os chineses foram firmadas logo na primeira semana, o que reforça a retomada das compras.

Castelli detalha que outro fator que reforça a expectativa de retomada está no custo, que em muitas fábricas, principalmente na Ásia, está bem próximo dos preços praticados.

Para a Europa, o diretor comercial e de logística internacional, Henri Philippe van Keer, revela que não foi identificada uma queda na demanda. "A demanda continua boa e a Fibria não reconhece a evolução tão drástica na Europa", disse ele.

Para enfrentar as condições de mercado mais adversas ao longo do primeiro trimestre de 2016, principalmente com a pressão de preços exercida pelos clientes chineses, Castelli revela que algumas estratégias foram adotadas, como a realocação dos embarques para outros mercados, como Europa e China, além da redução da produção e vendas como um todo. Outra estratégia foi antecipar a parada para manutenção da unidade C da fábrica de Aracruz (ES), onde também foi realizado um retrofit na instalação, que estava previsto somente para 2017 e ocorre a cada 15 anos.

No primeiro trimestre de 2016, as vendas de celulose da Fibria caíram 8% na comparação com o mesmo período do ano passado e 13% contra o quarto trimestre de 2015, para 1,136 milhão de toneladas. De janeiro a março deste ano, a produção recuou 7% tanto na comparação com o primeiro quanto com o quarto trimestre de 2015, para 1,203 milhão de toneladas.

Alavancagem

A alavancagem da Fibria, medida pela relação dívida líquida e Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) pode ficar acima de 2 vezes, em função da mudança de cenário, com preços de celulose mais baixos e real mais valorizado. "Eu costumava dizer que com aquele patamar de preços de celulose e câmbio em torno de R$ 4,00, a alavancagem não iria subir, mas com nível mais baixo de preços e câmbio mais valorizado, devemos observar um aumento da alavancagem", disse Guilherme Cavalcanti, diretor financeiro e de relações com investidores da Fibria.

Cavalcanti começou a usar esse patamar de alavancagem de 2 vezes após o anúncio da expansão da fábrica de Três Lagoas (MS), o projeto Horizonte 2. Segundo ele dizia anteriormente, mesmo com os aportes financeiros no projeto, a companhia conseguiria manter sua alavancagem.

Apesar dessa mudança de cenário, o executivo lembrou que a política da empresa limita o indicador em 3,5 vezes em períodos de expansão. "Nossa política diz que não pode ultrapassar 3,5 vezes, mas temos flexibilidade para fazer com que não aumente tanto".

Entre as estratégias adotadas, Cavalcanti citou que a Fibria pode reduzir os investimentos em Horizonte 2, a serem realizados neste ano, o que é possível graças a uma antecipação destes aportes realizados no ano passado. "Se precisar manter a alavancagem em patamares mais baixos, podemos voltar o capex para o patamar original", disse.

A alavancagem da Fibria em dólar ficou em 1,85 vez ao final do primeiro trimestre de 2016, contra 1,78 vez no quarto trimestre e 2,30 vezes no primeiro trimestre de 2015. Já os investimentos somaram R$ 1,436 bilhão, um valor quatro vezes acima do mesmo período do ano passado, quando havia ficado em R$ 356 milhões. Deste total, R$ 921 milhões foram destinados para a expansão da empresa, sendo a maior parte (R$ 896 milhões) para o crescimento industrial da fábrica de Três Lagoas (MS).

Dividendo

O conselho de administração da Fibria votará, em reunião a ser realizada nesta quarta, a distribuição de R$ 300 milhões em dividendos, com pagamento previsto, caso aprovado, para o dia 9 de maio.

Segundo Guilherme Cavalcanti, diretor financeiro e de Relações com Investidores da Fibria, o valor está acima do mínimo obrigatório, mas segue o estimado em outubro de 2015.

No ano passado, a Fibria realizou a distribuição de dividendo extraordinário no valor total de R$ 2 bilhões.