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IPCA aquém do esperado reforça aposta de corte da Selic e juros fecham em queda

Os juros futuros deram sequência à trajetória de ontem e fecharam a sessão desta sexta-feira, 7, em queda, estimulados pelo IPCA de setembro abaixo do esperado e pelas expectativas positivas sobre a área fiscal. A criação de postos de trabalho nos Estados Unidos, também aquém do previsto, favoreceu o movimento ao manter o cenário de que os juros no país devem começar a subir em dezembro, de forma gradual.

Ao término da negociação normal, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2017 fechou em 13,660%, de 13,701% no ajuste anterior, com expressivo volume de 493.360 contratos. O DI janeiro de 2018 (232.385 contratos) fechou em 11,96%, de 12,01%. A taxa do DI janeiro de 2019 (183.660 contratos) recuou de 11,40% para 11,32%. O DI janeiro de 2021 (146.810 contratos) terminou em 11,25%, de 11,33%.

As taxas já abriram em baixa, repercutindo o IPCA de 0,08% em setembro, ante 0,44% em agosto. A inflação medida pelo índice ficou abaixo do piso das estimativas coletadas pelo Projeções Broadcast, de 0,10% a 0,23%, que tinham mediana de 0,19%. O número fortaleceu a percepção de que o ciclo de afrouxamento da Selic, hoje em 14,25%, começará em outubro, e com um corte de 0,50 ponto, embora essa aposta ainda seja minoritária da curva a termo.

Também trouxe alívio à curva a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241, que institui um limite ao crescimento dos gastos, em comissão especial da Câmara, ontem. O texto base foi aprovado por 23 votos a 7 e agora a proposta vai ao plenário da Casa, onde será apreciada em dois turnos. A primeira votação está prevista para segunda-feira.

À tarde, o recuo dos DIs perdeu ritmo, após a declaração do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, de que o IPCA foi uma "surpresa positiva", mas precisa ser olhado com cuidado. "Também tivemos surpresas negativas e temos que manter a serenidade e olhar a tendência da inflação", disse a jornalistas após fazer palestra em Washington.

No exterior, o destaque do dia foi o payroll norte-americano, que mostrou geração de 156 mil vagas em setembro, abaixo do previsto (170 mil postos). Não foi suficiente para dissipar apostas de alta de juros este ano, porque, segundo analistas, a abertura do documento mostra um retrato positivo do mercado de trabalho, mas pelo menos manteve a expectativa de que a taxa subirá em dezembro e não antes disso.