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Juros avançam com inflação em alta e cenário externo negativo

As taxas de juros negociadas no mercado futuro voltaram a incorporar prêmios de risco nesta terça-feira, 23, depois de uma sessão de quedas na véspera. O IPCA-15 e cenário internacional adverso foram determinantes para a tendência.

Os preços do petróleo voltaram a cair logo cedo, com a notícia de que o Irã considerou "ridículo" o plano apresentado pela Rússia e pela Arábia Saudita para congelar a produção da commodity nos níveis de janeiro. À tarde, o ministro do Petróleo da Arábia Saudita, Ali al-Naimi, disse que a Arábia Saudita continua a trabalhar com outros produtores por um acordo para congelar a produção, enquanto prevê um aumento na demanda. "O mercado vai se reequilibrar e a demanda vai aumentar", afirmou ele.

Com os preços do petróleo em queda e sem novas notícias com poder para manter o apetite do investidor por risco, predominou a busca por ativos seguros, como os títulos do Tesouro dos EUA, cujas taxas recuaram. O dólar reagiu com alta frente à maioria das moedas de países emergentes e exportadores de petróleo, entre eles o real, com reflexo de alta também no mercado futuro de juros.

No cenário doméstico, o destaque foi a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), que subiu 1,42% em fevereiro. O número ficou acima da taxa de 0,92% de janeiro e do resultado de 1,33% registrado em fevereiro de 2015. O dado também superou o teto das estimativas dos analistas consultados pelo AE Projeções, que esperavam inflação entre 0,95% e 1,41%, com mediana de 1,32%. Além disso, o resultado foi a maior taxa para um mês de fevereiro desde 2003, quando a inflação ficou em 2,19%.

A inflação elevada reforçou o discurso do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, de que não há espaço para cortes da taxa Selic no cenário de curto prazo. Por outro lado, o dado ainda não dá evidência de que a recessão enfrentada pelo País vá gerar um efeito desinflacionário, também como defende o Banco Central. Dessa forma, as taxas subiram em toda a curva de juros, com maior ênfase nos vencimentos intermediários e longos.

Ao final dos negócios do período regular da BM&FBovespa, o "spread" entre as taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento entre janeiro de 2017 e janeiro de 2021 estava em 142 pontos-base, cerca de 10 pontos acima da inclinação da véspera. O contrato com vencimento em julho de 2016 terminou com taxa de 14,195%, ante 14,170% do ajuste de ontem. O DI para janeiro de 2017 projetou 14,205%, de 14,180%. O vencimento de janeiro de 2018 ficou em 14,67%, contra 14,63% do ajuste de segunda-feira. Na ponta mais longa da curva a termo, o vencimento de janeiro de 2021 apontava taxa de 15,62%, ante 15,50%.