21°
Máx
17°
Min

Juros caem com percepção de enfraquecimento do governo, exterior e swaps

(Foto: Marcos Santos/USP Imagens) - Juros caem com percepção de enfraquecimento do governo, exterior e swaps
(Foto: Marcos Santos/USP Imagens)

As taxas de juros negociadas no mercado futuro foram fortemente ajustadas para baixo nesta quinta-feira, 17, tendo mais uma vez o cenário político como principal referência. A mais recente reviravolta relacionada à Operação Lava Jato aumentou a percepção de enfraquecimento do governo, reforçando o otimismo dos investidores que apostam numa troca de governos como solução para a crise do País. Além disso, o cenário internacional mais tranquilo aumentou o apetite por risco, potencializando a queda das taxas. A decisão do Banco Central de reduzir a rolagem de contratos de swap cambial foi bem recebida no mercado de juros e foi outro fator a favorecer a redução dos prêmios de risco.

A divulgação de escutas de diálogos entre a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seus desdobramentos foram os principais assuntos nas mesas de operações. Sob suspeita de cerceamento da Justiça, Lula tomou posse hoje como ministro chefe da Casa Civil. Tão logo a cerimônia foi encerrada, o juiz Itagiba Catta Preta Neto, da 4ª Federal do Distrito Federal, concedeu liminar suspendendo a nomeação.

Juristas e entidades de classes jurídicas divergiram sobre diversos pontos, desde a legalidade da decisão do juiz Sérgio Moro ao dar publicidade aos áudios até a obtenção de foro privilegiado por Lula. Enquanto o governo se mobilizava em torno da batalha jurídica para garantir Lula na Casa Civil, a Câmara dos Deputados promoveu hoje a sessão do plenário para eleição dos parlamentares que vão compor a comissão especial do impeachment da presidente. Os nomes da comissão foram formados no fim da tarde.

No noticiário econômico, o destaque do dia ficou por conta do anúncio do Banco Central de que irá reduzir a rolagem de contratos de swap cambial. Apesar de não ter tido grande influência no mercado de câmbio, a medida teve impacto na ponta longa da curva a termo, que passou a renovar mínimas à tarde. A aceleração do declínio foi atribuída à percepção de que o BC aproveita o momento de queda do dólar para reduzir sua exposição a esses contratos de derivativos, que frequentemente têm tido impacto fiscal negativo para o BC.

Ao tomar essa iniciativa, o BC poderia também estar antevendo forte entrada de fluxo cambial nos próximos meses, sobretudo após a divulgação do comunicado do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA)ontem, considerado "dovish".