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Juros de curto e médio prazo caem com investidor à espera da votação

A expectativa de aprovação do processo de impeachment em votação na Câmara, intensificada nesta semana, voltou a conduzir a queda das taxas dos contratos futuros de juros nesta sexta-feira, 15. O movimento arrefeceu durante a tarde entre os contratos mais longos, em meio à percepção de que a decisão dos deputados no domingo já está em grande parte precificada. Mas as apostas majoritárias são claras: para o mercado, o governo Dilma Rousseff caminha para o fim.

A taxa do DI para janeiro de 2017 fechou a sessão regular em 13,60%, ante 13,650% do ajuste de ontem, e o vencimento para janeiro de 2018 marcou 12,96%, ante 13,11%. Na ponta longa, o DI para janeiro de 2021 indicou 13,04%, igual ao ajuste anterior.

Pela manhã, o fato de o governo ter sofrido derrota na noite de ontem no Supremo Tribunal Federal (STF), em mandado impetrado pela Advocacia-Geral da União para anular o processo de impeachment, justificava o recuo das taxas de juros. Além disso, investidores reagiam ao Placar do Impeachment, do Grupo Estado, que já na noite de ontem indicava que a oposição tem votos suficientes para dar continuidade ao processo de impeachment. Na tarde de hoje, o levantamento indicava 346 deputados a favor do impeachment e 129 contrários. Há 13 indecisos e 25 não responderam. São necessários 342 votos para o impeachment passar pela Câmara.

À tarde, houve desaceleração da queda das taxas, em especial, na ponta longa. Investidores vendidos em taxa aproveitam para realizar parte dos lucros mais recentes. A percepção também era de que a maior parte da precificação antes do domingo já está feita. Para a segunda-feira, as taxas de juros podem cair ainda mais - porém, não necessariamente em reação ao domingo, mas sim porque as especulações em torno de uma nova equipe econômica vão crescer.

No campo econômico, os ministros da Fazenda, Nelson Barbosa, e do Planejamento, Valdir Simão, entregaram ao Congresso o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2017. O projeto prevê o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1% em 2017. Já a meta de superávit primário do setor público é de 0,1% do PIB. A inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), está projetada em 6,0%, enquanto a Selic para o fim de 2017 é calculada em 12,75%.

Os números, apesar de importantes, pouco fizeram preço no mercado de juros. Mesmo porque, existe uma sensação de que a dupla formada por Barbosa e Simão pode estar com os dias contados em função do processo de impeachment.