24°
Máx
17°
Min

Juros futuros consolidam alta com fala de diretor do BC em evento

As taxas de juros negociadas no mercado futuro interromperam as quedas registradas desde o início da semana e voltaram a ser ajustadas para cima. O principal fator apontado para esse ajuste foram as declarações do diretor de Política Monetária do Banco Central, Aldo Mendes, que sinalizou não haver espaço para uma redução de juros neste ano. Fatores como a alta do dólar e a confirmação de um IBC-Br ruim também contribuíram para o aumento dos prêmios, mas de forma secundária.

Em conferência promovida pelo banco Goldman Sachs, em São Paulo, Mendes destacou que fatores internacionais e domésticos "não deixam espaço para uma flexibilização das condições monetárias". Segundo ele, essa falta de espaço para cortes da taxa Selic leva em conta fatores como o ambiente externo de menor crescimento, a abertura do hiato do produto doméstico e as recentes leituras dos índices de preços no Brasil, ainda em patamares elevados.

As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) reagiram imediatamente à fala do diretor de Política Monetária e passaram a renovar máximas no período da tarde, a começar pelos vencimentos mais curtos. Ao final dos negócios no período regular de negociação, o contrato de DI com vencimento em abril de 2016 tinha taxa de 14,170%, ante 14,156% do ajuste de ontem. O vencimento de janeiro de 2017 projetou 14,32%, ante 14,24% do ajuste anterior. O DI para janeiro de 2018 teve a taxa elevada de 14,75% para 14,83%. Na ponta mais longa da curva a termo, o DI para janeiro de 2021 ficou com taxa de 15,88%, contra os 15,75% anteriores.

Pela manhã, as taxas já ensaiavam uma alta, diante do cenário mais adverso no Brasil e no exterior. O novo rebaixamento do rating brasileiro promovido pela Standard & Poor's e os dados do IBC-Br foram duas notícias que, embora não tenham surpreendido, não contribuíram para a reversão de expectativas pessimistas.

Considerado uma espécie de prévia do PIB, o IBC-Br recuou 4,08% em 2015 ante 2014. A variação ficou ligeiramente melhor com a mediana das estimativas dos analistas do mercado consultados pelo AE Projeções, de -4,10%. O intervalo das estimativas ia de -4,16% a -4,00%. Já no que diz respeito ao rebaixamento da S&P, cresceu o receio dos investidores de que a Moody's, única agência que ainda mantém o Brasil como "grau de investimento", promova novos cortes do rating soberano.

Profissionais do mercado também apontaram o leilão de Letras do Tesouro Nacional (LTN), realizado no final da manhã, como fator extra de pressão sobre os DIs. O Tesouro vendeu integralmente os 8 milhões de títulos ofertados, numa operação que totalizou R$ 5,9 bilhões. A pressão sobre os DIs decorre nas operações de proteção montadas pelos investidores, simultaneamente à aquisição dos papéis.