21°
Máx
17°
Min

Juros futuros fecham em alta com aumento de incertezas políticas

Os juros futuros fecharam a sessão desta segunda-feira, 8, em alta ao longo de toda a curva, com mais intensidade nos vencimentos longos. O principal vetor a conduzir os negócios foram as notícias publicadas pela imprensa, no fim de semana, envolvendo o presidente em exercício, Michel Temer, e alguns de seus ministros. Nem a melhora das expectativas de inflação trazida pelo Boletim Focus nem a deflação do IGP-DI de julho foram capazes de evitar uma postura mais defensiva. O avanço das taxas, contudo, se deu num ambiente de fraca liquidez.

Ao término da negociação regular, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2017 (78.640 contratos) estava em 13,975%, de 13,960% no ajuste anterior. O DI janeiro de 2018 (70.165 contratos) subiu de 12,71% para 12,74%. O DI janeiro de 2019 (86.940 contratos) fechou em 12,17, de 12,12%. O DI janeiro de 2021 (100.975 contratos) avançou de 11,85% para 11,95%.

Segundo a revista Veja, a Odebrecht teria repassado R$ 10 milhões a Temer para as campanhas de Eliseu Padilha e Paulo Skaf. O Planalto afirmou que todo o dinheiro repassado pela empreiteira está de acordo com a legislação eleitoral. Ainda, o jornal Folha de S. Paulo trouxe matéria de que a campanha do atual ministro das Relações Exteriores, José Serra, à Presidência da República em 2010 recebeu R$ 23 milhões de caixa 2 da Odebrecht, conforme disseram executivos a investigadores da Operação Lava Jato.

O teor das reportagens preocupa o mercado, que nas últimas semana esteve mais sensível a quaisquer notícias que ameaçassem a concretização das reformas para reerguer a economia. Vale ressaltar que a oposição pedirá ao Supremo Tribunal Federal (STF) que adie a votação de amanhã da sentença da pronúncia da presidente afastada, Dilma Rousseff. O argumento é de que se Temer for efetivado na presidência, ele não poderá ser investigado pela Lava Jato.

Por outro lado, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou, em entrevista coletiva após o término da sessão regular, que o parecer do relator do projeto de renegociação da dívida dos Estados, Esperidião Amin (PP-SC), vai manter as duas contrapartidas demandadas pela União: a limitação do teto dos gastos até a inflação do ano anterior e o veto a reajustes salariais e novas contratações durante dois anos.

Pela manhã, a pesquisa Focus mostrou que a mediana das projeções para o IPCA em 2017 caiu de 5,20% para 5,14%. Já para 2016, a mediana passou de 7,21% para 7,20%.

Na agenda de indicadores, o destaque foi a deflação de 0,39% apurada pelo IGP-DI de julho, que em junho havia mostrado alta de 1,63%, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV). Contudo, o IPC-DI, que representa 30% do indicador, acelerou de 0,26% para 0,37%. E, segundo a Fundação, na primeira quadrissemana de agosto o IPC voltou a acelerar, atingindo 0,46%.