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Juros futuros fecham em alta com cenário político tenso e avanço do dólar

(Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil) - Juros futuros fecham em alta com cenário político tenso e avanço do dólar
(Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

O dólar em alta e as tensões no cenário político puxaram para cima boa parte dos juros futuros nesta terça-feira, 31, marcada pela volta do investidor estrangeiro após o feriado nos Estados Unidos e em Londres, ontem. Uma série de notícias que sugerem dificuldade na aprovação da pauta econômica no Congresso e até mesmo o risco de retorno da presidente afastada, Dilma Rousseff, trouxeram cautela aos negócios, com avanço pouco mais firme no trecho longo da curva.

Ao término da sessão regular, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2017 indicou 13,645% (185.130 contratos), de 13,635% no ajuste anterior. O DI para janeiro de 2018 (222.210 contratos) ficou quase estável, em 12,82%, de 12,81% no último ajuste. O DI janeiro de 2019 (164.485 contratos) fechou em 12,75%, de 12,70%. Nos longos, o DI janeiro de 2021 subiu para 12,85%, de 12,74%, com 107.960 contratos. Perto das 16h30, o dólar à vista subia 1,23%, a R$ 3,6223.

O mercado já amanheceu na defensiva, repercutindo o pedido de demissão de Fabiano Silveira, ministro da Transparência, após a revelação de áudios com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado em que tenta agir contra a Operação Lava Jato. Houve ainda a informação de que a Odebrecht e o Ministério Público formalizaram negociação de leniência no âmbito da Lava Jato.

Além disso, os senadores Romário (PSB-RJ) e Acir Gurgacz (PDT-RO) teriam admitido, segundo o jornal O Globo, a possibilidade de votar contra o impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff (PT) no Senado, o que aumentou o desconforto do investidor. Ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, Gurgacz afirmou que ainda não tem posição formada sobre o julgamento.

Profissionais citaram ainda uma certa frustração com a informação de que não haverá tempo hábil para o indicado para comandar o Banco Central, Ilan Goldfajn, participar da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) da próxima semana. A expectativa era de que Ilan pudesse ser ouvido amanhã na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, mas a presidente de Comissão, senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), marcou a sabatina para a próxima terça-feira, primeiro dia da reunião de política monetária.

À tarde, houve uma piora generalizada nos ativos domésticos e os juros aceleraram a alta, após a Coluna do Estadão trazer que a Polícia Federal indiciou o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, e dois executivos do banco no inquérito da Operação Zelotes, que investiga compra de decisões no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). Em nota enviada ao Broadcast, o Bradesco disse que não contratou os serviços prestados pelo grupo investigado por corromper integrantes do Carf.