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Juros futuros fecham em alta com estresse no cenário político

O aumento do estresse no quadro político provocou realização de lucros no mercado de juros e as taxas fecharam a sessão em alta nos vencimentos de médio e longo prazos, enquanto os curtos subiram reagindo à fala de Ilan Goldfjan, indicado à presidência do Banco Central, sabatinado nesta terça-feira, 7, pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Ao término da negociação regular, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2017 (154.260 contratos) projetava 13,600%, de 13,565% no ajuste da véspera. O DI janeiro de 2018 (171.730 contratos) encerrou em 12,56%, de 12,51% no ajuste de ontem. O DI janeiro de 2019 (172.355 contratos) subiu de 12,29% para 12,34%, e o DI janeiro de 2021 fechou em 12,39%, de 12,31%, com 123.370 contratos.

O sinal de alta foi determinado já na abertura dos negócios, em reação aos pedidos de prisão feitos pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, a Teori Zavascki, ministro relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-RJ), do ex-presidente da República José Sarney (PMDB-AP) e do senador Romero Jucá (PMDB-RR), que foi ministro do Planejamento do governo do presidente em exercício, Michel Temer. O trio aparece em conversas gravadas pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, que, para os investigadores, contêm indícios de conspiração para derrubar todas as apurações em curso sobre o esquema de corrupção da Petrobras.

Renan divulgou nota em que diz que o pedido de prisão foi "desproporcional e abusivo". "Toda vez que há exagero, extravagância, excesso, desproporcionalidade, expressões como democracia, Constituição, liberdade de opinião e presunção de inocência perdem prestígio. Não vamos colaborar com isso", disse Renan após informar que é preciso aguardar a decisão do STF.

Na sabatina, Ilan afirmou à CAE que à frente da autoridade monetária retribuirá confiança depositada em sua indicação atingindo meta de inflação e disse que vai mirar o centro da meta. "Bandas de tolerância servem para acomodar choques", disse. Segundo ele, a manutenção de nível baixo e estável de inflação reduz incertezas e torna a sociedade mais justa. Sua indicação foi aprovada pela CAE por 19 votos a 8. Na ótica do mercado, as afirmações sugerem que o ciclo de cortes da Selic pode demorar um pouco mais do que se espera.