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Juros futuros fecham em alta com expectativa sobre meta fiscal de 2017

Os juros futuros terminaram em alta na sessão regular desta quarta-feira, 6, da BM&FBovespa, refletindo principalmente as preocupações com o cenário fiscal brasileiro, em meio ainda às incertezas do cenário externo. A demora no anúncio da meta fiscal de 2017 reforça no mercado a avaliação de que a equipe econômica está com dificuldades em fechar um número melhor do que o déficit de até R$ 170,5 bilhões previsto na meta deste ano, e sem aumento de impostos.

O contrato com vencimento em janeiro de 2017 encerrou com taxa de 13,915%, ante 13,910% no ajuste de ontem, com 172.943 contratos negociados. O DI janeiro de 2018 (132.668 contratos) fechou em 12,80%, de 12,74% ontem. O vencimento para janeiro de 2019 (82.850 contratos) subiu de 12,33% para 12,41%. O DI janeiro de 2021 (140.334 contratos) fechou em 12,32%, de 12,24%.

As taxas já abriram a sessão pressionadas, refletindo o avanço do dólar, o clima externo pesado e também o noticiário em torno da questão fiscal. À tarde, o ambiente lá fora melhorou um pouco, com a virada para cima nos preços do petróleo e das bolsas em Wall Street, que ajudou a Bovespa a desacelerar a queda. Depois da divulgação da ata do Fed, os ativos continuaram se recuperando, mas o mercado de juros se manteve alheio à reação positiva, dada a expectativa sobre como ficará o quadro fiscal em 2017. A divulgação da meta de resultado primário do ano que vem está prevista para amanhã.

O secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Mansueto Almeida, defendeu, em sua conta no Twitter, que "o ajuste fiscal precisa vir de cortes de despesas". "Não podemos mais repetir a velha fórmula de aumentar a carga tributária", escreveu na rede social. Do mesmo modo, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), afirmou ver com "muita dificuldade" um eventual aumento de impostos no Brasil.

No exterior, o clima continuou sendo de cautela, com mais fundos imobiliários suspendendo operações no Reino Unido em razão do aumento dos resgates. Quanto à ata do Federal Reserve, o tom foi considerado "suave", mas pouco influenciou os negócios, uma vez que os investidores já tinham em conta que o início do aperto monetário nos EUA deverá ser adiado.