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Juros futuros fecham em alta com leilão do Tesouro e aumento do risco fiscal

Os juros futuros fecharam a sessão desta quinta-feira, 25, em alta, refletindo fatores técnicos relacionados ao leilão de títulos prefixados do Tesouro Nacional e o aumento da tensão com o cenário fiscal, mesmo com o resultado primário do Governo Central de janeiro acima da mediana das estimativas dos analistas. Ao término da sessão regular na BM&FBovespa, o DI abril de 2016 projetava 14,155%, de 14,151% no ajuste de ontem, e o DI julho de 2016 fechou a 14,190%, estável. O DI janeiro de 2017 subiu de 14,170% para 14,215%. O DI janeiro de 2018 encerrou em 14,65%, ante 14,57%. O DI janeiro de 2021 subiu de 15,52% para 15,71%.

As taxas operaram descoladas do alívio que se viu no mercado de câmbio desde a abertura. Desde o começo do dia, já mostravam uma tendência de correção ao recuo de ontem, que foi ganhando força ao longo da manhã, principalmente após a divulgação das condições para a realização do leilão pelo Tesouro.

A instituição vendeu quase 11 milhões de papéis, entre Letras do Tesouro Nacional (LTN) e Notas do Tesouro Nacional - Série F (NTN-F), um volume considerado grande para os padrões de oferta vistos nos últimos meses. Para se proteger do risco prefixado dos papéis, os investidores assumem posições tomadas em taxas no mercado futuro.

Passado o leilão, as taxas continuaram pressionadas à tarde, principalmente as longas, renovando as máximas. Segundo comentários nas mesas de renda fixa, o aumento de prêmio na curva longa refletiu o temor de deterioração do quadro fiscal, sobretudo se aprovado o projeto do deputado Esperidião Amin (PP-SC), que suspende a metodologia de cálculo definida pelo Tesouro Nacional para a correção de contratos de renegociação da dívida dos Estados. O projeto é considerado uma "bomba fiscal", pois a mudança pode fazer a União perder R$ 300 bilhões da dívida que tem a receber dos Estados, segundo cálculos da Fazenda.

O projeto seria votado ainda hoje na Câmara, mas, após obstrução comandada pela liderança do governo, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), encerrou a sessão desta quinta-feira sem votar a proposta.

Desse modo, nem a queda do dólar nem o superávit do governo central (Previdência Social, Banco Central e Tesouro Nacional) de R$ 14,835 bilhões em janeiro, acima da mediana das estimativas (R$ 9,200 bilhões), chegaram a influenciar os negócios. Pela manhã, o IBGE informou que a taxa de desemprego na Pesquisa Mensal de Emprego (PME) em janeiro foi de 7,6%. O resultado ficou abaixo da mediana das previsões do mercado, que era de 7,90%, mas também não fez preço.