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Juros futuros fecham em alta com risco Brexit e incertezas do quadro político

Os juros futuros encerraram a sessão desta quinta-feira, 16, em alta, mais firme nos vencimentos de curto e médio prazos. Os riscos associados a uma possível saída do Reino Unido da União Europeia e as incertezas do cenário político com a repercussão do conteúdo da delação premiada do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado envolvendo o presidente em exercício, Michel Temer, foram os principais motes do mercado nesta quinta-feira. A ata do Comitê de Política Monetária (Copom) trouxe a informação de que, pelos modelos econométricos do Banco Central, a inflação agora já converge ao centro da meta de 4,5% em 2017, mas não chegou a ter grande influência no comportamento das taxas.

Ao término da negociação regular, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2017 apontou 13,775%, de 13,745%, com 90.645 contratos. Com 195.910 contratos, o DI janeiro de 2018 subiu de 12,72% para 12,77%. O DI janeiro de 2019 (136.835 contratos) encerrou em 12,59%, de 12,58% no ajuste de ontem. O DI janeiro de 2021, que movimentou 145.380 contratos, avançou a 12,70%, de 12,67%.

As taxas operaram pressionadas para cima pela manhã, em linha com a cautela do mercado externo, por sua vez pautada pelo risco Brexit (saída do Reino Unido da UE), e em meio às operações de proteção contra o risco prefixado relacionadas aos leilões de LTN e NTN-F. Passado o leilão, à tarde as taxas longas desaceleraram o avanço também porque as bolsas norte-americanas passaram a subir.

O mercado interpretou que a morte da deputada trabalhista Jo Cox, que havia sido baleada no começo da tarde e que era favorável à permanência dos britânicos na UE, poderá levar eleitores indecisos, no plebiscito do dia 23, a votarem pelo "ficar", uma vez que o atirador aparentemente defendia o "sair". Segundo a imprensa britânica, ele gritou "Britain first" antes dos tiros. Britain first (Bretanha primeiro, em português) é um grupo político de extrema direta com discurso radical contra imigrantes e favorável ao Brexit.

A ata da reunião do Copom ainda sob o comando de Alexandre Tombini reforçou a percepção de que a Selic não deve mesmo subir no encontro do Copom de julho, mas não chegou a ter impacto relevante sobre as taxas, uma vez que os próximos passos da política monetária serão dados já na gestão de Ilan Goldfajn. Pesquisa realizada pelo AE Projeções mostra que o mercado está dividido sobre o início do ciclo de cortes da Selic entre os meses de agosto e outubro.