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Juros futuros fecham em queda, em linha com dólar e exterior favorável

Os juros futuros encerraram nesta quarta-feira, 8, em baixa, mais forte nos contratos de médio e longo prazos, em linha com a queda do dólar e com o ambiente externo mais propenso ao risco. Segundo profissionais da área de renda fixa, as afirmações do economista Ilan Goldfajn, que vai assumir o Banco Central (BC) no lugar de Alexandre Tombini, ontem no Senado, sugerem que a autoridade monetária deve reduzir suas intervenções para segurar a queda do dólar, uma vez que o câmbio mais apreciado pode ajudar no combate à inflação. O IPCA levemente acima das mediana das estimativas não chegou a fazer preço, tampouco a expectativa pela decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), logo mais.

Ao término da etapa regular, o Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2017 (119.745 contratos) fechou em 13,585%, de 13,600% no ajuste de ontem. O DI janeiro de 2018 (164.814 contratos) encerrou na mínima de 12,48%, de 12,56% no ajuste anterior. O DI janeiro de 2019 caiu de 12,34% para 12,24%, com 149.700 contratos. O DI janeiro de 2021 (135.188 contratos) encerrou em 12,31%, de 12,39%.

"O dólar está caindo pela sexta sessão consecutiva e temos um tom positivo no exterior, com bolsas em alta e o petróleo também. Aqui, o BC ainda não atuou no câmbio e como ontem o Ilan disse defender o câmbio flutuante e que pretende trazer a inflação para centro da meta o mais rápido possível, o BC pode deixar o câmbio se apreciar neste momento para ajudar a inflação e apoiar a política monetária", disse o estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno. Também ajudou, na sua avaliação, o fato de o noticiário político hoje, ao contrário de ontem, "não ter tido nada de relevante".

O IPCA de maio subiu 0,78%, ante 0,61% em abril, pouco acima da mediana de 0,76% das estimativas coletada pelo AE Projeções, que iam de 0,69% a 0,83%. Em 12 meses, acumula inflação de 9,32%. Segundo analistas, a taxa mensal deve desacelerar significativamente em junho, levando o acumulado em 12 meses rumo à desinflação de 2 pontos porcentuais no fim do semestre, como previu o atual presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. Esse alívio poderia ser até maior, não fossem as pressões de preços administrados e de alimentos nos últimos meses.

No câmbio, o dólar batia nova mínima, às 16h18, cotado no segmento à vista em R$ 3,3701 (-2,24%), com o mercado reagindo também à fala de Ilan, à alta dos preços do petróleo e aos dados do comércio exterior da China.