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Juros futuros sobem com aversão ao risco no exterior, quadro fiscal e leilão


A aversão ao risco, alimentada por fatores externos e domésticos, conduziu a trajetória de alta dos juros futuros nesta quinta-feira, 11, principalmente no trecho longo da curva. As preocupações com o pulso da economia global, reforçadas novamente hoje pela presidente do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) , Janet Yellen, levaram o investidor a se desfazer de ativos de países emergentes, o que castigou a Bovespa, o real e o segmento de renda fixa. Esse movimento foi potencializado no período da tarde no mercado de juros após a informação de que o corte no Orçamento deste ano não será mais anunciado amanhã e sim em março. Adicionalmente, o leilão de papéis prefixados do Tesouro também deu combustível aos comprados.

Ao término da sessão regular, o DI abril de 2016 fechou na máxima de 14,200%, de 14,196% no ajuste de ontem. O DI janeiro de 2017 subiu de 14,415% para 14,475% e o DI janeiro de 2018 terminou em 15,20%, de 15,11%. O DI janeiro de 2021 avançou de 15,88% para 16,12%.

Já pela manhã as taxas estavam em alta em linha com a pressão no câmbio, por sua vez, afetado pelo sentimento negativo em relação ao desempenho das principais economias do globo. Essa preocupação foi aprofundada pela derrocada dos preços do petróleo - negociados hoje abaixo de US$ 27 na Nymex - e dúvidas sobre a saúde dos bancos, cujas ações voltam a ser liquidadas após balanços decepcionantes reforçarem dúvidas sobre a capacidade das instituições de enfrentarem a volatilidade nos mercados.

À tarde, Yellen depôs no Senado e, a exemplo de ontem, manteve o tom cauteloso sobre a economia norte-americana. Ela afirmou que o Fed está monitorando cuidadosamente o mercado global e quais acontecimentos econômicos poderiam afetar a trajetória dos EUA, mas disse que sua avaliação é que uma contração não é iminente. "Sempre há chance de recessão em qualquer ano, mas as evidências sugerem que expansões não morrem de velhice", disse Yellen, que novamente não descartou a possibilidade de adoção de taxas negativas, como fez o Japão. Porém, disse também que o Fed não vê por ora mudanças na perspectiva econômica que tornem um corte de juros provável.

Por aqui, o mercado, que já não havia gostado da proposta de adoção de bandas de flutuação para a meta de resultados primários, reagiu mal ao adiamento do anúncio do contingenciamento do Orçamento para março. De acordo com fontes do Planalto, o corte de despesas que estava sendo desenhado pelo governo atingiria áreas consideradas "essenciais". Assim, a equipe econômica e a presidente Dilma Rousseff resolveram analisar por mais tempo as contas federais para definir os cortes. A expectativa é de que fique em torno de R$ 24 bilhões, segundo os últimos cenários traçados pelo governo.

Por fim, o leilão de títulos do Tesouro também deu impulso às taxas, em razão das operações de hedge que os investidores montam para se proteger do risco dos papéis. A instituição vendeu todo o lote de 2 milhões de NTN-F, com giro de R$ 1,485 bilhão, e 6,948 milhões, ou quase toda a oferta de 7 milhões, de LTN, com volume de R$ 5,3 bilhões.