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Juros futuros têm alta generalizada com relatório do BC e incertezas políticas

O último dia de março foi marcado por alta generalizada e significativa das taxas de juros negociadas no mercado futuro. A recomposição de prêmios respondeu basicamente a dois fatores: o tom mais cauteloso do Relatório Trimestral de Inflação (RTI) do Banco Central e as dúvidas que começam a pairar em torno do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Havia nesta quinta-feira, 31, grande expectativa entre os investidores em torno do RTI, principalmente porque alguns índices de inflação vinham apontando desaceleração importante nos últimos dias. Foi o caso do IGP-M, divulgado ontem, que passou de 1,29% em fevereiro para 0,51% em março, alimentando apostas em um corte de juros no curto prazo. Com o RTI, essas apostas praticamente desapareceram.

No documento, o BC afirma que o momento atual não permite "flexibilização monetária" e reconhece, pela primeira vez, o estouro da meta de inflação em 2016. A autoridade monetária ressaltou ainda que há aumento de incertezas associadas ao balanço de riscos. A previsão para o PIB de 2016 foi revisada de -1,9% para -3,5%. A estimativa do IPCA deste ano passou de 6,2% para 6,6% no cenário de referência e de 6,3% para 6,9% no cenário de mercado.

O tom "hawkish" (duro) do BC teve impacto principalmente na ponta curta da curva de juros, uma vez que o mercado corrigiu posições que admitiam um afrouxamento da política monetária.

As taxas dos vencimentos mais longos também avançaram, dando continuidade à realização de lucros iniciada na véspera. O cenário político contribuiu para incentivar a cautela e o aumento dos prêmios de risco. Depois de formalizada a saída do PMDB da base de apoio do governo, pesaram dúvidas quanto às contraofensivas do governo.

Um dos destaques do noticiário político foi a declaração do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), à tarde. Ele afirmou ter considerado "precipitada" a reunião da Executiva Nacional do PMDB que determinou o rompimento formal do partido com o governo. "É evidente que isso (a decisão do rompimento) precipitou reações em todas as órbitas: no PMDB, no governo, nos partidos da sustentação, nos partidos da oposição, o que significa em outras palavras, em bom português, que não foi um bom movimento, um movimento inteligente", criticou.

Nos negócios na BM&FBovespa, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para liquidação em janeiro de 2017 chegou ao final dos negócios na etapa regular com taxa de 13,885%, ante 13,760% do ajuste de ontem. O DI para janeiro de 2018 projetou 13,72%, de 13,46% do ajuste anterior. O vencimento de janeiro de 2021 teve a taxa elevada de 13,62% para 13,91%.