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Juros futuros terminam em alta com tensão política, mas longe das máximas

Os juros futuros encerraram o dia em alta, determinada principalmente pelas incertezas com o cenário político após a decisão do presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), de anular a aprovação da abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Outros fatores que estimularam a postura mais cautelosa do investidor foram a aversão ao risco global e dúvidas sobre a capacidade de um eventual governo de Michel Temer de enfrentar as dificuldades econômicas.

Ao término da negociação regular, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2017 tinha taxa de 13,695%, de 13,675% no ajuste de sexta-feira. Na máxima, chegou a 13,835%. O DI janeiro de 2018 fechou em 12,87%, de 12,80% no ajuste anterior, após máxima de 13,05%. O DI janeiro de 2021 subiu de 12,58% para 12,69%, com máxima de 13,15%.

As taxas já começaram o dia pressionadas, refletindo a aversão ao risco no exterior após dados fracos do comércio exterior da China e que levaram o governo do país a anunciar uma série de medidas com o objetivo de impulsionar as exportações. Na comparação anual, as exportações chinesas caíram 1,8% em abril, revertendo alta de 11,5% em março, enquanto as importações recuaram 10,9%, ante queda de 7,6% no mês anterior.

Além disso, pesaram sobre o mercado as dúvidas sobre se Temer, se assumir o lugar de Dilma, terá sucesso na implantação de medidas para a retomada do crescimento. O investidor também parece impaciente sobre a formação da equipe do eventual novo governo, dando como certo até o momento somente o nome de Henrique Meirelles para a Fazenda.

O pico do estresse, contudo, veio no final da manhã, com a notícia de que o presidente da Câmara havia anulado as sessões que resultaram na autorização da abertura do processo de impeachment. As taxas foram para as máximas, em linha com a reação negativa dos demais ativos domésticos. À tarde, contudo, devolveram boa parte do movimento, após opiniões de especialistas que apontavam a falta de sustentação jurídica da decisão. Além disso, contribuiu, segundo fontes, a sinalização do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), de que ignoraria a decisão e manteria a votação em plenário na quarta-feira, 11.