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Juros recuam com noticiário político e inflação menor

Depois de uma leve realização de lucros na véspera, as taxas de juros negociadas no mercado futuro nesta terça-feira, 8, retomaram a trajetória de baixa que predominou na semana passada. O cenário político voltou a concentrar as atenções dos investidores, que repercutiram os mais recentes desdobramentos da Operação Lava Jato.

A condenação do empresário Marcelo Odebrecht a 19 anos e 4 meses de prisão e as especulações de que os donos da Odebrecht e da OAS negociam delação premiada reacenderam a percepção de que são crescentes as chances de saída de Dilma Rousseff do governo. Além disso, a cúpula do PMDB no Senado dá sinais de divisão, com alguns integrantes reavaliando a posição de apoio, por entender que a situação governo vem se agravando nos últimos dias.

As apostas numa mudança de governo como forma de destravar os nós da economia contribuíram para manter juros e dólar em queda durante a maior parte do tempo, na contramão do movimento de aversão a risco no exterior. Os dados fracos da balança comercial da China e a queda dos preços do petróleo levaram os investidores a priorizar ativos seguros. Com isso, o dólar subiu frente à maioria das moedas de países emergentes e as taxas dos títulos do Tesouro dos EUA caíram.

Outro fator de influência sobre o mercado de juros foi a inflação medida pelo Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-DI). O indicador mostrou alta de alta de 0,79% em fevereiro, ante 1,53% em janeiro, ficando abaixo do piso do intervalo de estimativas coletadas pelo AE Projeções. Esse é mais um indicador a mostrar sinais de desinflação nos últimos dias, o que reforça o discurso do Banco Central. Nesta quarta-feira será conhecido o resultado do IPCA de fevereiro e, na quinta-feira, o BC divulga o teor da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).

Nos negócios na BM&F, as taxas chegaram ao final do período estendido nas mínimas do dia, acompanhando de perto o movimento do dólar, que também renovava pisos. O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em julho de 2016 marcava taxa de 14,115%, ante 14,145% do ajuste de ontem. O vencimento de janeiro de 2018, o mais negociado, tinha taxa de 14,22%, na mínima do dia, contra 14,42% do ajuste de ontem. Na ponta mais longa da curva de juros, o DI para janeiro de 2021 teve a taxa reduzida de 14,89% para 14,64%.