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Juros: taxas curtas fecham em alta com IPCA e longas terminam estáveis

Os juros futuros de curto prazo fecharam a sessão em alta moderada nesta quarta-feira, 10, em reação ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de julho, de 0,52%, acima da mediana das estimativas coletadas pelo Broadcast Projeções (0,45%), enquanto os de médio e longo prazos ficaram perto da estabilidade. Estes contratos passaram boa parte do dia em alta, repercutindo a concessão feita pelo governo no ajuste fiscal vista na aprovação do texto-base do projeto de renegociação da dívida dos Estados, ontem na Câmara. Mas o avanço perdeu força na última hora de negócios, na medida em que o dólar se firmava abaixo de R$ 3,13.

Ao término da negociação regular, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2017 (92.990 contratos) fechou em 13,950%, de 13,935% no ajuste anterior. O DI janeiro de 2018 (164.845 contratos) encerrou estável em 12,65%, na mínima. O DI janeiro de 2019 (92.805 contratos) termina em 12,09%, de 12,08%. O DI janeiro de 2021 (86.310 contratos) passou de 11,85% para 11,86%.

O IPCA de julho mais salgado impôs pressão de alta para os contratos curtos desde a abertura dos negócios, na medida em que reduz as chances de um corte da Selic no curto prazo. Com o resultado de julho, o IPCA acumula alta de 4,96% em 2016 e de 8,74% em 12 meses. Já os juros longos começaram o dia perto da estabilidade, refletindo o dólar em queda e a decisão do Senado de dar continuidade ao impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff.

A repercussão negativa da aprovação do projeto de renegociação da dívida dos Estados sem o trecho que proibia a concessão de aumentos acima da inflação a servidores estaduais por dois anos, considerado "inegociável" pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, veio tardiamente, somente no meio da manhã. As taxas longas passaram a subir e a renovar máximas, diante da percepção de que a retirada do veto a aumentos no projeto enfraquece ainda mais o ajuste fiscal prometido pelo governo. De todo modo, no geral, os profissionais da área de renda fixa consideraram a reação ao IPCA e ao fiscal comedida, tanto que, no caso dos juros longos, acabou não perdurando até o fechamento da sessão.