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Lopes: depreciação cambial atua como 1ª linha de defesa contra choques externos

O diretor de Política Econômica do Banco Central, Altamir Lopes, disse nesta segunda-feira, 22, que, como é de se esperar em um regime de câmbio flutuante, a depreciação cambial tem respondido à deterioração dos termos de troca, atuando como primeira linha de defesa contra choques externos. A declaração foi dada durante o evento "Brazil Macro and Political Conference", promovido pelo JP Morgan em São Paulo, segundo discurso divulgado no site do BC.

Lopes afirmou que a redução dos preços internacionais das commodities tem levado à piora dos termos de troca do Brasil. De acordo com o diretor, a relação entre preços de exportação e de importação tem caído desde 2011, registrando uma contração de 11% apenas em 2015.

Segundo ele, o ajuste do setor externo da economia brasileira tem sido intenso e consistente. O diretor apontou que a balança comercial tem apresentado superávits crescentes, enquanto o déficit nas transações correntes se reduziu de maneira significativa em 2015 e foi integralmente financiado pelo ingresso de investimentos diretos. "A taxa de câmbio mais depreciada deverá estimular a substituição de importações, com reflexos positivos não só para a balança comercial, mas também para a atividade econômica. Evidências setoriais já podem ser vistas em alguns segmentos da indústria de transformação, como metalurgia e celulose", explicou.

Ele lembrou ainda que outro efeito da depreciação da taxa de câmbio é tornar a economia doméstica mais atrativa aos investidores estrangeiros. Nesse sentido, ressaltou que o Brasil continua recebendo montantes significativos de capitais internacionais, mesmo em período de contração da atividade econômica.

Na avaliação do diretor, a economia global mostra tendência de maior moderação no seu ritmo de crescimento e a desaceleração da China tem afetado o PIB mundial e os preços das commodities. "Essa conjunção de incertezas, que propicia ambiente de estresse nos mercados cambial e acionário, mostra-se desafiadora para as economias emergentes", afirmou.