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Lucro líquido do Banrisul cresce 27,9% no 1º tri para R$ 188,1 milhões

O Banrisul registrou lucro líquido de R$ 188,1 milhões no primeiro trimestre deste ano, resultado 27,9% superior ao do mesmo período do ano passado. Na comparação com o quarto trimestre, o lucro subiu 25,8%.

Segundo relatório da administração do banco, o desempenho foi favorecido pela elevação da margem financeira e pela performance de receitas de serviços e tarifas bancárias, ainda que o ambiente de incertezas na esfera política e econômica tenha afetado os negócios no setor.

O retorno sobre o patrimônio líquido (ROAE) subiu 1,9 ponto porcentual para 12,6% no primeiro trimestre e 2,6 pontos porcentuais na comparação com o quarto trimestre. O patrimônio líquido atingiu R$ 6,322 bilhões no final do primeiro trimestre de 2016, com expansão de R$ 580,7 milhões ou 10,1% em um ano. Em relação ao quarto trimestre, o aumento foi de 1,8%.

Os ativos totais apresentaram saldo de R$ 65,965 bilhões em março de 2016, com crescimento de 7,5% em relação ao registrado em março de 2015 e queda de 1,5% em relação a dezembro do ano passado. A ampliação anual foi proveniente, de acordo com o banco, do aumento dos depósitos e das captações no mercado aberto, recursos que foram direcionados para depósitos compulsórios no Banco Central, tesouraria e operações de crédito.

Os recursos captados e administrados, constituídos por depósitos, recursos em letras, dívidas subordinadas e recursos de terceiros administrados, totalizaram R$ 51,7 bilhões, com expansão de 4,9% em 12 meses.

O saldo das operações de crédito do Banrisul totalizou R$ 31,373 bilhões em março de 2016, com aumento de R$ 346,5 milhões ou 1,1% nos 12 meses e queda de 2% em base trimestral de comparação.

O índice de Basileia subiu de 17% no primeiro trimestre do ano passado para 18,3% no mesmo período de 2016.

Inadimplência

O índice de inadimplência acima de 90 dias do Banrisul alcançou 4,88% ao final do primeiro trimestre, aumento de 1,33 ponto porcentual em relação ao patamar de 3,55% no fechamento do mesmo intervalo de 2015 e de 0,56 ponto porcentual frente ao quarto trimestre do ano passado, quando estava em 4,32%. O volume de operações de crédito vencidas em 90 dias somava R$ 1,530 bilhão no primeiro trimestre deste ano.

O índice de atrasos acima de 60 dias foi para 6% em março de 2016, com aumento de 1,73 ponto porcentual em doze meses, quando estava em 4,27%, e de 1 ponto porcentual nos últimos três meses, de 5%. O total de operações em atraso acima de 60 dias atingiu R$ 1,883 bilhão em março de 2016.

O índice de cobertura alcançou 126,9% em proporção das operações em atraso acima de 60 dias, indicador inferior ao apurado em março de 2015 (140,6%) e menor que o de dezembro de 2015 (140,7%). O índice de 90 dias atingiu 156,1%, menor que o de março de 2015 (168,8%) e inferior ao registrado em dezembro de 2015 (162,9%). Segundo o banco, os indicadores foram influenciados pelo aumento do montante de operações de crédito em atraso e pelo volume de provisões refletindo a rolagem da carteira por rating.

O índice de provisionamento alcançou 7,6% do saldo de crédito em março de 2016, 1,6 ponto porcentual e 0,6 ponto porcentual acima do indicador de março de 2015 e de dezembro de 2015, respectivamente.

As despesas de provisão para perdas em operações de crédito subiram 5,1% no primeiro trimestre comparativamente ao mesmo período do ano passado, para R$ 425,4 milhões. O saldo da provisão para devedores duvidosos do Banrisul atingiu R$ 2,389 bilhões, de R$ 1,861 bilhão no primeiro trimestre de 2015.

O banco diz que a ampliação do saldo de operações de crédito em atraso e a rolagem da carteira em níveis mais elevados de rating exigiram maior fluxo de provisões, num contexto de desaceleração do crescimento do crédito e de maior volume de baixas para prejuízo.

Em relação ao quarto trimestre, as despesas com PDD ficaram praticamente estáveis, apresentando aumento de apenas R$ 1,5 milhão, refletindo, de acordo com o Banrisul, a ampliação do saldo de operações de crédito em atraso e a rolagem da carteira por rating, em um contexto de redução de baixas para prejuízo.

Guidance

O Banrisul deve revisar o guidance para inadimplência e para despesas com provisão para devedores duvidosos (PDD) ao final de junho, uma vez que as projeções foram constituídas a partir de premissas que se deterioraram. O banco entende que o efeito positivo nos índices de inadimplência e nas provisões de novas diretrizes macroeconômicas levará algum tempo, ainda que as expectativas dos agentes se recomponham rapidamente e a reação do mercado seja de pleno otimismo.

"Hoje a Dilma (Rousseff, a presidente) vai, já está precificado. O que não está bem precificado é a força de um novo governo, no que diz respeito a promoção das mudanças necessárias", afirmou ao Broadcast o diretor Financeiro e de Relações com Investidores do Banrisul, Ricardo Hingel. "Este ano a inadimplência ainda será preocupante para os bancos", acrescentou.

Segundo ele, existe um tempo para que a confiança sensibilize o caixa das empresas, para que voltem a investir, produzam e levem ao consumo. "Não é ao longo desse ano que o fluxo de caixa, que representa a capacidade de pagamento das empresas, terá melhora substancial. O ciclo é longo", destacou. Hingel pontuou que o banco irá observar a reação do mercado e as políticas econômicas. Para ele, o comportamento do câmbio é o principal indicador. "O câmbio é a faísca, mostra o quão rápida será a queda na inflação e bate na velocidade da queda do juro", comenta.

Mas, ainda assim, diz ser difícil o banco não alterar os guidances. Hingel explicou que foram constituídos em dezembro, a partir de indicadores macroeconômicos de novembro, os quais não se concretizaram e de um primeiro trimestre que se agravou. "Isso gera uma tendência de revisão", disse. O executivo não acredita, entretanto, em deterioração maior dos níveis de inadimplência e de provisões em relação aos registrados ao longo dos três primeiros meses do ano.

No fim do ano, o Banrisul estimou que a despesa com provisão de crédito em relação a carteira de crédito cresceria entre 3,5% a 4,5%, enquanto o saldo da provisão sobre a carteira, entre 6,5% e 7,5%.

No primeiro trimestre, o índice de provisionamento alcançou 7,6% do saldo de crédito em março de 2016, enquanto o índice das despesas de provisão sobre a carteira foi para 5%. As despesas de provisão para perdas em operações de crédito subiram 5,1% no primeiro trimestre comparativamente ao mesmo período do ano passado, para R$ 425,4 milhões. O saldo da provisão para devedores duvidosos do Banrisul atingiu R$ 2,389 bilhões, de R$ 1,861 bilhão no primeiro trimestre de 2015.

O índice de inadimplência acima de 90 dias alcançou 4,88% ao final do primeiro trimestre, aumento de 1,33 ponto porcentual em relação ao patamar de 3,55% do mesmo intervalo de 2015; acima de 60 dias, o índice foi para 6% em março de 2016, com aumento de 1,73 ponto porcentual em doze meses, quando estava em 4,27%.