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Mais do que uma missão, inflação baixa é um compromisso do BC, diz diretor

O diretor de Política Econômica do Banco Central, Altamir Lopes, disse nesta quinta-feira, 31, na apresentação do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), que uma inflação baixa e estável é sempre precondição para crescimento sustentável. "Mais que uma missão, esse é um compromisso do BC", pontuou.

Ele começou o detalhamento do RTI apresentando dados que mostram que a moderação no crescimento global tem certa heterogeneidade, com destaque para a desaceleração da China - e outras economias emergentes - maior que a prevista. "Na China, o processo de desaceleração vem sendo muito marcado", exemplificou. "Esse cenário de maior acomodação traz moderação do preço das commodities, principalmente do petróleo", acrescentou.

Lopes mostrou dados sobre a desaceleração da atividade também em economias avançadas, como as dos Estados Unidos, da União Europeia e do Japão. "É um cenário de desaceleração bastante pronunciada em relação a expectativas anteriores", comentou,

O diretor citou que essa dinâmica gera um ambiente de inflação muito baixa nesses países, trazendo também pressões desinflacionárias para o Brasil. "Nesse cenário, política monetária é acomodatícia de modo geral (no mundo)", completou.

Por isso, de acordo ele, o processo decisório de política monetária em todos os países está vinculado à complexidade do cenário internacional.

Política monetária

Em apresentação usada pelo diretor de Política Econômica, o BC reiterou que as incertezas associadas ao balanço de riscos não permitem trabalhar com a hipótese de flexibilização da política monetária. A avaliação vem em linha com o último relatório, apresentado em dezembro, e com o que o presidente da autoridade monetária, Alexandre Tombini, disse na última semana em audiência no Senado.

O BC diz ainda que adotará medidas necessárias de forma a assegurar o cumprimento das metas de inflação de 2016 para dentro dos limites da meta em 2016 e alcançar a meta de 4,5% em 2017.

Câmbio e balança comercial

Altamir Lopes afirmou também que a desvalorização do real trouxe benefícios para a balança comercial. "Mudança do câmbio, associada à acomodação da demanda doméstica e à competitividade do trabalho trouxeram benefícios", disse.

Segundo ele, pelas projeções, haverá uma série de superávits robustos da balança, favorecendo setor externo. Lopes destacou que a redução do déficit em transações correntes tem como contrapartida uma quase estabilidade do investimento direto no País, com uma queda que "não é tão expressiva".

Em sua apresentação, o diretor se limitou apenas a repetir números de previsão do BC para PIB, sem fazer análise.

Lopes afirmou ainda que há uma sobra financeira no mercado de US$ 20,1 bi em 2016. "Projeção aponta para excesso de recursos. Tem um excesso de dólares na economia da ordem de US$ 20 bilhões", disse.

Queda do petróleo

O diretor de Política Econômica do BC comentou que a queda no preço do barril do petróleo trazem dificuldades financeiras para o País e empresas produtoras. "Esse cenário de incerteza acabou afetando as economias, emergentes principalmente, de maneira muito significativa", avaliou.

Segundo ele, o comportamento do dólar, com valorização significativa e recente estabilização, trouxe impacto, mais marcadamente, sobre o Brasil.

Em sua apresentação, Lopes trouxe ainda a avaliação que o ajustamento do balanço de pagamentos deve se intensificar neste ano, com menor necessidade de financiamento externo.

Ajuste fiscal

Altamir Lopes avaliou que a questão fiscal brasileira tem sido marcada por uma desaceleração muito pronunciada das receitas, mas com redução das despesas bem inferior.

Ele citou que o comportamento leva a um resultado fiscal primário deficitário de 2,1% do PIB em 12 meses até fevereiro, incluindo o pagamento das pedaladas. Considerando os juros, o déficit nominal chegou a 10,7% do PIB no mesmo período.

"Vamos um déficit nominal elevado no período à frente, não apenas pelo primário, mas também pela conta financeira", afirmou.

Como consequência, Altamir elencou o aumento do endividamento público e citou que a elevação da dívida bruta tem a ver também com o aumento das operações compromissadas. O diretor admitiu que o quadro fiscal no curto prazo é ruim, mas ponderou que as expectativas em relação às medidas fiscais anunciadas pelo governo na semana passada são positivas. "Reconhecer que a meta é ruim ajuda a evitar volatilidade", completou.

O diretor explicou que a data de corte do RTI - 18 de março - fez com que o documento ainda não considerasse a proposta de alteração da nova meta fiscal do governo. "A mudança fiscal não tem forte impacto em nossas projeções de curto prazo. Não é o 0,5% ou 0,15% de fiscal que vai mudar nossa projeção de inflação", argumentou.