21°
Máx
17°
Min

Minoritário da Vale quer 'voz' em acordo de acionistas

A mobilização dos minoritários da Vale por uma vaga no conselho de administração da mineradora está ligada ao caso Samarco e à renovação do acordo de acionistas da companhia - que vence em abril de 2017, após 20 anos. Os acionistas querem ter voz no colegiado porque a percepção, segundo fontes, é que a discussão sobre o futuro do acordo está parada.

Como informou na semana passada o Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, o grupo encabeçado por L.Par, de Lírio Parisotto, e o VIC Distribuidora querem que o advogado Marcelo Gasparino ocupe a vaga dos minoritários. Sua missão seria monitorar os rumos do debate.

Dificilmente o indicado terá força para derrubar os votos dos conselheiros do controlador, a Valepar. A presença, entretanto, daria mais transparência às decisões. "O representante dos minoritários não vai reverter os problemas da companhia, mas pode evitar que outros surjam", diz uma fonte.

Cenário

A espiral negativa dos preços do minério de ferro, a crise na Samarco e as incertezas político-econômicas criaram uma cortina de fumaça sobre o acordo da Valepar. A holding detém o controle direto da Vale, com 33,7% do capital social.

A Valepar é formada pelo fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil (Previ, por meio da Litel Participações), Bradespar, Mitsui, BNDESPar e Eletron. A Previ é a principal acionista controladora, com 49% das ações com direito a voto da Valepar.

Os minoritários da Vale entendem que, diante dos desafios atuais, o acordo deveria ser renovado nos mesmos termos, evitando mais desgaste. O acordo da Valepar é prorrogável por mais dez anos.

Outra questão é se haverá custo para a Bradespar ficar no bloco de controle da Vale - o braço de investimento do Bradesco é o mais expressivo representante privado. Gasparino é conselheiro da Bradespar e presidente do conselho da Usiminas.

De acordo com outra fonte, os minoritários que articulam a busca por uma vaga no conselho apoiam a gestão de Murilo Ferreira e acreditam que é preciso dar apoio ao executivo.

A visão é que o custo do episódio em Mariana ainda é incerto. O temor é que a Samarco não volte a operar em 2016.

Se este for o caso, a empresa pode não ter recursos para arcar com os compromissos com os governos federal, de Minas Gerais e do Espírito Santo - o que pode deixar a conta nas mãos de suas controladoras, Vale e BHP. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.