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Moelis e empresário egípcio buscam plano alternativo para Oi

Em mais uma tentativa de acelerar o processo de reestruturação da operadora Oi, em recuperação judicial desde junho com dívidas declaradas de R$ 65,4 bilhões, o banco de investimento americano Moelis & Company anunciou ontem que está se associando ao empresário egípcio Naguib Sawiris, dono da empresa de telecomunicações Orascom, para apresentar uma plano alternativo de recuperação da operadora. O 'Estado' apurou que o investidor estaria disposto a fazer um aporte de, no mínimo, R$ 3 bilhões, na companhia. O banco americano representa uma parte importante dos detentores de títulos da tele.

O valor que poderá ser aportado pelo Grupo Sawiris ainda não está fechado e pode chegar a R$ 7 bilhões, dizem fontes. Esse investimento será convertido em ações. O próximo passo é marcar uma reunião com a companhia para discutir o assunto.

A operadora, a quarta maior do País, que está em sérias dificuldades financeiras nos últimos anos, tem queima de caixa de cerca de R$ 6 bilhões por ano.

Em comunicado ao mercado, o Moelis divulgou que foi assinado um termo de acordo de colaboração mútua entre o comitê diretivo e o Grupo Sawiris, no qual ambos firmam o compromisso de trabalhar para discutir e avaliar os termos de um plano alternativo de recuperação da Oi S.A. e suas subsidiárias e a operação pós-recuperação judicial da empresa. O comitê dos detentores de títulos (bondholders) da tele é formado por cerca de 70 instituições sediadas na Ásia, América Latina, Oriente Médio, EUA e Europa, que conjuntamente detêm mais de 40% do valor total em aberto dos títulos emitidos pela Oi.

Sawiris já tinha demonstrado interesse na operadora brasileira e as conversas com o Moelis se intensificaram nos últimos 30 dias. O banco é próximo ao empresário e o assessorou na compra do controle da Wind Telecomunicazioni, a terceira maior operadora da Itália.

"Estou confiante na perspectiva do Brasil e na sua economia. Acreditamos que, ao apoiar o comitê de bondholders, junto com a nossa experiência no segmento, ajudaremos a Oi em uma solução ganha-ganha a atingir resultados positivos para todos os interessados", disse Sawiris na nota.

Otavio Guazzelli, do Moelis, afirmou, também em nota, que o acordo com Sawiris permitirá atingir os credores e "apesar do desapontamento com a falta de engajamento da Oi em negociar o plano de recuperação com os seus principais credores, o comitê de bondholders continua acreditando em uma solução consensual". Os bondholders do Moelis contam com as assessorias legais e financeiras no exterior da Cleary Gottlieb Steen and Hamilton LLP e o local Pinheiro Neto Advogado.

Sem diálogo

Não há conversas entre a Oi e os atuais credores, afirmaram fontes próximas aos credores, que acreditam que o atual plano em recurso da Oi beneficia somente os acionistas da tele. Desde que entrou com pedido de recuperação judicial, o fundo Société Mondiale, ligado ao empresário Nelson Tanure, começou a comprar ações da Oi e detém hoje 6,3% da operadora. Tanure começou a questionar a Pharol (antiga Portugal Telecom), maior acionista individual da companhia, com 22,2% de participação. Tanure quer coordenar a reestruturação da tele.

Fontes ligadas à Pharol afirmaram que a empresa está aberta ao diálogo. A Oi não comenta.

A Oi já foi alvo de interesse de outros grupos de investidores, como o bilionário russo Mikhail Fridman, que se dispôs a fazer aporte na companhia desde que fosse condicionado a uma fusão com a TIM Brasil, mas não avançou.

Um consórcio de investidores - formado João Cox, ex-presidente da Claro; Mario Cesar de Araújo, ex-presidente da TIM; Renato Carvalho, fundador da Íntegra, consultoria de reestruturação em empresas; e o banco de investimentos americano ACGM - também entrou na disputa para se tornar acionista relevante da Oi. A intenção, contudo, não foi adiante. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.