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Moody's: reformas fiscais são cruciais para melhorar condições da dívida pública

A habilidade de implementar reformas fiscais será fundamental para garantir a recuperação econômica do Brasil em dois a três anos e as condições da dívida pública, disse o analista sênior do grupo de risco soberano da Moody's, Samar Maziad, em conferência que acontece nesta terça-feira, 27, em São Paulo. "Dificuldades para implementar as reformas podem levar o sentimento dos investidores e dos consumidores a ser revertido e comprometer a recuperação que está em andamento", afirmou.

Segundo ela, embora o sentimento seja positivo e haja sinais favoráveis também na produção industrial e na direção da inflação, o ajuste fiscal demandará um longo caminho. "O enfraquecimento fiscal não será revertido apenas com o crescimento da economia, não imediatamente, porque tem uma natureza estrutural e é difícil encontrar receitas adicionais", destacou. Mas Samar acrescentou que "as reformas fiscais são essenciais para resolver a fragilidade estrutural do País".

De acordo com ela, o período longo de PIB abaixo do potencial enfraqueceu condições econômicas e as reformas fiscais determinarão as condições de crédito nos próximos 2 ou 3 anos. "A demora de reformas fiscais podem levar dívida bruta a superar de 90% do PIB", avisou.

A analista da Moody's destacou a reforma previdenciária, além do corte do teto dos gastos públicos, como essenciais para garantir a melhora das condições fiscais. "Sem a reforma previdenciária será difícil atingir a meta de ajuste fiscal", disse.

De todo o modo, a analista indicou que nesse momento vê a possibilidade de um cenário favorável para o rating, orientado por aumento de sentimento positivo dos investidores e do consumidor, de que a reforma fiscal traga de volta o investimento, e de que a inflação possa convergir para a meta, com consequente redução do juro e da dívida. "Vemos isso como uma possibilidade e isso nos levaria a colocar o Brasil num patamar mais elevado no espaço Ba de rating", previu Samar, reforçando que a nota do Brasil dependerá da adoção de reformas para melhorar a situação fiscal do País.