22°
Máx
14°
Min

Multiplan investe R$ 500 mi para ampliar participação em dois shoppings

As notas enviadas anteriormente sobre o investimento da Multiplan para ampliar a participação em shoppings continham incorreções. As vendas das fatias dos shoppings à Multiplan foram feitas pela Sistel, e não pela Fistel, conforme foi informado. Segue a nota corrigida.

A Multiplan fechou na quinta-feira, 1º de setembro, um negócio de R$ 495,9 milhões para a compra de duas fatias adicionais em shopping centers que já fazem parte do seu portfólio. As vendas foram realizadas pelo Fundação Sistel de Seguridade Social (Sistel).

Pelo acordo, a Multiplan adquiriu do fundo uma fatia de 10,3% no Barra Shopping, no Rio de Janeiro, pelo montante de R$ 311,2 milhões. Com isso, a companhia passará a deter 61,3% do empreendimento. O restante está dividido entre os fundos de pensão Previ (19,1%) e Fapes (15,07%), além da incorporadora Carvalho Hosken (4,3%).

A outra compra se refere a uma participação de 8,0% no Morumbi Shopping, em São Paulo, por R$ 184,7 milhões. Com o acerto, a Multiplan passará a deter 73,7% da unidade. As fatias remanescentes estão nas mãos de Previ (13,3%), Funcef (9,0%) e Fapes (4,02%).

Em Fato Relevante, a Multiplan explica que as duas aquisições geram um Resultado Operacional Líquido (NOI, na sigla em inglês), em 12 meses encerrados em junho deste ano, de R$ 40,3 milhões, dos quais R$ 24,8 milhões correspondentes ao Barra Shopping, e R$ 15,5 milhões ao Morumbi Shopping.

A Multiplan é a administradora dos dois shoppings, que foram desenvolvidos pela própria companhia e vendidos parcialmente para levantar caixa anos atrás. "Estamos readquirindo ativos de alta performance, que vendemos no passado para nos financiar", afirmou o diretor presidente e acionista controlador da Multiplan, José Isaac Peres, em entrevista ao Broadcast (serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado). "Estamos satisfeitos, pois são dois dos nossos principais empreendimentos".

O executivo explicou que as vendas dos lojistas nos dois shopping centers apresentaram um crescimento médio de 11% a 13% ao ano durante a última década, uma taxa que deve se manter daqui para frente. "Esperamos dobrar as vendas nos próximos dez anos", ressaltou.

Na assinatura do contrato de compra e venda, a companhia pagou ao Sistel um sinal e fará o desembolso final após a conclusão das diligências, o que deve se resolver em aproximadamente um mês. "Não tem surpresas. É um contrato irrevogável e irretratável", frisou Peres. Com isso, a Sistel encerrará uma parceria de cerca de 30 anos com a Multiplan. O primeiro investimento do fundo na empresa foi no BHShopping, aberto em 1979.

Os recursos para a aquisição virão do próprio caixa da Multiplan. Peres comentou que a companhia também deverá buscar, em breve, cerca de R$ 150 milhões no mercado para reforçar a estrutura de capital. O executivo também disse que a companhia estudou realizar um aumento de capital, mas optou por adiar essa iniciativa por alguns meses, até o momento em que os ativos conseguirem obter uma precificação melhor.

"Oportunamente, poderemos fazer alguma colocação de ações, mas nada expressivo, pois a companhia é uma grande geradora de caixa. Vamos esperar que o mercado apresente um desempenho melhor. A economia vai melhorar, e os ativos brasileiros terão uma valorização. Não temos pressa", avaliou Peres.

O diretor-presidente da Multiplan vem apontando desde julho, na apresentação do balanço da companhia, que enxerga um movimento de recuperação da economia nacional, com aumento na confiança dos consumidores e tendência de melhora no desempenho dos shoppings, que sofreram com oferta de descontos nos aluguéis e aumento da inadimplência dos lojistas. "Estamos muito otimistas em relação ao futuro do Brasil", sintetizou.

Ele reafirmou que continua estudando oportunidade de aquisição de ativos de nível considerado "premium", ou seja, shoppings localizados em regiões nobres e com ocupação e vendas já consolidadas. "Se for uma boa aquisição, um projeto premium, vamos olhar, mesmo que tenhamos que tomar recursos no mercado". O executivo negou, porém, ter feito proposta pelo Shopping Tucuruvi, da concorrente JHSF, conforme informado nesta semana pelo jornal Valor Econômico. "Nem sequer fomos consultados para fazer uma proposta", disse Peres.

O executivo reiterou também o lançamento neste ano do Shopping Jacarepaguá, na zona oeste do Rio de Janeiro. As obras ambientais e viárias já estão em andamento. Quando pronto, o empreendimento terá 42 mil metros quadrados de área bruta locável (ABL).