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No Paraná, pinhão gera renda para pequenos produtores

Saiba como o Pinhão ajuda na renda de alguns paranaenses

A temporada de festas juninas já faz alegria dos produtores de pinhão no Estado. A safra desse ano, de acordo com estimativas do mercado, deve ser de 12 mil toneladas - 20% maior do que no ano passado. A produção ajuda na renda principalmente de pequenas propriedades. Em algumas delas, a venda do pinhão chega a responder por 30% do faturamento anual dos agricultores.

A colheita, que começou em 1º de abril, deve se estender até julho e a produção se concentra na região Centro Sul do Estado, com destaque para Guarapuava e Irati e, também, em municípios da região metropolitana de Curitiba.

De acordo com o secretário executivo do Conselho Estadual de Meio Ambiente, João Batista Campos, o Paraná vem incentivando a atividade, com distribuição de mudas e a regulamentação do período da colheita. O objetivo é garantir o consumo sustentável e assegurar a reprodução da araucária. Símbolo do Paraná, esse tipo de pinheiro chegou a cobrir 40% do território do Estado. Hoje esse percentual é de menos de 3%. 

“Sabemos que o extrativismo para a retirada dos pinhões é uma importante fonte de renda nessa época, principalmente junto a pequenos produtores. Por isso estabelecemos um calendário de colheita, para que a atividade também gere um impacto menor sobre a fauna que se alimenta dos frutos da araucária no inverno ”, diz.

Com frutas

A colheita do pinhão já responde por um terço da renda do ano da produtora Elizabeth Guedes de Freitas Costa, em Campina Grande do Sul, na região de Curitiba. 

No sítio da família, as araucárias dividem espaço com pés de caqui, pera, kiwi, tangerina e morango. “A safra desse ano vai ser muito boa. Devemos colher cerca de 2 toneladas de pinhão”, diz Elizabeth. A produção é vendida para a Cooperativa de Produtores de Campina Grande do Sul. 

“Quando meu pai comprou a área, já havia cinco alqueires de mata nativa de araucárias. A gente costumava vender o fruto para vizinhos. Eu morava em Santos na época e levava o pinhão para vender lá”. Aos poucos, a atividade virou um negócio para a família e há dez anos foi iniciado plantio de pinheiros novos, da variedade caiová, que já começam a dar frutos. 

Na rodovia

A venda de pinhão à beira das estradas também se intensifica nessa época. O apicultor Luiz Roberto Aleixo, de Tijucas do Sul, na região de Curitiba, vende pinhão às margens da BR 376. Além de tirar pinhão das árvores que estão na sua propriedade, ele compra o fruto de cerca de 60 produtores de municípios como Tijucas do Sul, Agudos do Sul e Quitandinha para revenda. A expectativa é que as vendas sejam boas nesse ano.

“Esperamos um crescimento de 20% a 30% nas vendas nesse ano. A safra está maior do que no ano passado e a procura também”, afirma ele, que também é presidente da Associação dos Pinhoeiros de Tijucas do Sul. 

Com a venda do pinhão, Aleixo chega a gerar 40% da sua renda anual. “Nessa época, o trabalho não para. Chegamos a colher pinhão de noite, depois do horário comercial, para preparar e vender no dia seguinte”, diz ele, que comercializa o quilo do pinhão de R$ 7,5 a R$ 8. “Tem muita gente de São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul que compra pinhão na estrada”, acrescenta. Com o aumento do desemprego, também aumentou o número de vendedores de pinhão, muitos vindos de outros Estados.

Com a chegada do frio mais cedo nesse ano, a procura por pinhão já está maior nas Centrais do Abastecimento do Paraná (Ceasa) em Curitiba. Somente em maio foram 159 toneladas de pinhão no atacado 7% mais do que no ano passado - com o preço do quilo vendido a R$ 5 em média.

Colaboração AENPr