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Número de famílias que dão mesada aos filhos caiu pela metade desde 2014

(Foto: Estadão Conteúdo) - Número de famílias que dão mesada aos filhos caiu pela metade
(Foto: Estadão Conteúdo)

O número de famílias brasileiras que dão mesadas ou semanadas para os filhos caiu quase pela metade desde 2014. Há dois anos, 32% de adultos, entre pais, tios e avós, davam dinheiro às crianças; em 2015, o número passou para 18% e, neste ano, 17% mantiveram o hábito. A pesquisa, realizada pela Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito), entrevistou 696 pessoas de todo o Brasil e teve como tema a educação financeira na infância. 

O economista da empresa, Flávio Calife, acredita que a queda se deve à crise econômica do País. “O orçamento doméstico diminuiu muito por conta da piora no mercado de trabalho. Com isso, os pais acabaram cortando gastos e a mesada das crianças é um deles”, explica. Calife acredita que no próximo ano a tendência é de que o porcentual cresça. Na próxima pesquisa, a Boa Vista SCPC espera que haja uma retomada da renda familiar com o controle da recessão no País e, assim, mais de 20% dos pais invistam na mesada dos filhos.

Educação financeira

Entre aqueles que mantêm o hábito, 63% afirmaram dar a mesada aos filhos para incentivar a educação financeira desde cedo. Para o economista, o processo deve começar a partir dos sete ou oito anos de idade. “Elas devem aprender que os recursos têm limites e, para isso, é importante que os pais ofereçam a oportunidade de escolha”, afirma Calife. Ao optar entre um brinquedo e outro, por exemplo, a criança entende que é preciso poupar em vez de insistir para comprar os dois.

A escolha entre mesada ou semanada depende da idade e do comportamento da criança. Na maioria das vezes, as crianças não sabem casar a administração do dinheiro com o tempo até a próxima mesada. “Por conta disso, a semanada pode ser mais vantajosa. Assim, a criança aprende a planejar e poupar seus gastos”, explica o economista.

Com relação à forma como os adultos dão a mesada/semanada, 90% preferem o dinheiro e 6% optam pelo cartão pré-pago. “O cartão pré-pago não é muito complicado de usar e é uma forma de ensinar as crianças sobre esta forma de pagamento, já que provavelmente será o método mais utilizado no futuro”, afirma Calife. 

Segundo a pesquisa, 78% dos pais que utilizam o cartão para a mesada escolheram esta forma pela facilidade em monitorar os gastos das crianças.