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Números do trimestre ainda não refletem totalmente redução dos custos, diz BTG

O BTG Pactual implantou um programa de redução de custos no primeiro trimestre, mas aos números do período ainda não refletiram a iniciativa, segundo Marcelo Kalim, co-presidente da instituição. "Implementamos o programa de redução de custos com sucesso e, ao longo do ano, os números devem refletir mais a redução de custos na nossa estrutura", afirmou ele, em teleconferência com analistas e investidores, na manhã desta quarta-feira, 11.

As despesas operacionais do BTG atingiram R$ 1,814 bilhão de janeiro a março, declínio de 4% em comparação ao quarto trimestre de 2015. Em um ano, porém, aumentaram 129%. O índice de eficiência no trimestre foi de 50,2% e o índice de remuneração foi de 29,7%. Excluindo-se o BSI, os índices foram de 47,1% e de 27,6%, respectivamente.

O BTG anunciou na terça-feira, 10, após o fechamento do mercado, lucro líquido 25,4% maior no primeiro trimestre deste ano na comparação com o mesmo período do ano passado, para R$ 1,071 bilhão. Em relação ao período imediatamente anterior, houve queda de 12,8%. "Recebemos o resultado com bastante satisfação em um cenário bastante desafiador para o banco e para a economia brasileira e da América Latina em geral", concluiu Kalim.

Carteira de crédito

A carteira de crédito do BTG Pactual deverá ficar entre R$ 20 bilhões e R$ 25 bilhões ao longo deste ano, disse o presidente do banco, Marcelo Kalim. O BTG frisou, no relatório que acompanha o seu demonstrativo financeiro divulgado ontem, que diante do processo de venda de ativos que ocorre desde o fim do ano passado, o seu portfólio de crédito caiu 40% na relação anual, para R$ 25,812 bilhões. Ante o quarto trimestre de 2015, a queda foi de 12%.

Kalim destacou que o BTG não irá ainda renovar alguns de seus empréstimos e que esse intervalo de R$ 20 bilhões a R$ 25 bilhões é um "número ótimo para a sua carteira". "Estamos confortáveis com nossa carteira e satisfeitos com a qualidade de nossa carteira e esperamos poder ter um resultado consistente nos próximos trimestres. Não há nada que nos deixe preocupados", disse Kalim. O executivo citou que o banco tem sido conservador em sua carteira, assim como na marcação a mercado, e que, assim, a instituição financeira está colhendo os frutos neste momento.

Em sua área de gestão de recursos de terceiros, Kalim disse que a boa notícia é que neste momento a redução dos ativos já parou e que a diminuição dos ativos sob gestão no trimestre é reflexo de pagamentos de resgates pedidos em dezembro e janeiro deste ano. No fim de março, os ativos sob gestão eram de R$ 135,6 bilhões, queda de R$ 56,9 bilhões ante o visto no trimestre imediatamente anterior.

"A segunda boa notícia é a qualidade da nossa gestão de portfólio. O mais importante é que não tivemos que fechar nenhum de nossos produtos", disse na apresentação da teleconferência. Ao alcançar essa estabilidade, a expectativa agora é do retorno de números positivos nessa linha, como vinha ocorrendo até o terceiro trimestre do ano passado.

Já na linha de banco de investimento, as receitas somaram R$ 62 milhões, aumento de 52% em doze meses, mas queda de 45% em relação ao trimestre imediatamente anterior. Segundo o BTG, a queda na comparação trimestral se deve à forte atividade de assessoria financeira registrada no fim do ano passado, o que não se replicou nos três primeiros meses deste ano. Kalim destacou que o BTG conseguiu manter no trimestre a liderança em algumas áreas, como em fusões e aquisições, e que isso dá à instituição financeira a confiança de que poderá se beneficiar quando a atividade do mercado retomar.

Patrimônio

No primeiro trimestre deste ano, o patrimônio líquido do BTG ficou em R$ 23,176 bilhões, aumento de 20,6% na relação anual. Segundo Kalim, a evolução do patrimônio da instituição não reflete "totalmente a capacidade do BTG de resultado, visto que o banco tem feito diversos programas de recompra desde novembro do ano passado, quando o ex-controlador André Esteves foi preso, levando para baixo o valor das units do BTG.

Imposto de renda

O lucro líquido do BTG Pactual no primeiro trimestre deste ano, de R$ 1,071 bilhão, foi pequeno diante da receita da instituição financeira nesse intervalo, de R$ 3,612 bilhões, disse Kalim. Ao longo do ano, disse, a expectativa é que a taxa de imposto de renda se normalize em níveis mais baixos.

"O imposto de renda é algo volátil nos trimestres, mas nesse foi acima da média", disse Kalim. Relatório do Deutsche Bank enviado ao mercado destacou a elevada taxa de imposto nesse trimestre, que segundo o documento foi de 40%.

No primeiro trimestre do ano, o lucro antes dos impostos foi de R$ 1,798 bilhão.

Investimentos proprietários

Diante do movimento do BTG Pactual de simplificar seu balanço e de aumentar sua liquidez por meio da venda de ativos, a área de investimentos proprietários (principal investments) do banco deverá diminuir mais sua participação nas receitas totais da instituição financeira, disse Marcelo Kalim.

No primeiro trimestre deste ano, as perdas nessa linha foram de R$ 519 milhões, ante perdas de R$ 444 milhões no mesmo período do ano passado e de R$ 713 milhões no último trimestre de 2015. Em merchant banking, as perdas de R$ 239,8 milhões no trimestre são explicadas pela venda de um investimento no varejo e pela "contribuição negativa de investimentos concentrados no setor de petróleo e gás, refletindo a deterioração adicional no cenário econômico da América Latina e os preços do petróleo, que apesar da recuperação, continuam em patamares baixos", conforme consta no relatório que acompanha o demonstrativo financeiro do BTG.

Em relação ao tamanho da carteira de crédito do banco, ela poderá crescer à medida que a economia brasileira melhore ou com a elevação dos spreads, continuou o executivo. "Provavelmente esse nível bem menor da carteira de crédito vai nos possibilitar expandir quando vermos o momento certo, seja por melhora da economia ou do spread", disse Kalim, em teleconferência com analistas para comentar os resultados do primeiro trimestre do ano.

O portfólio de crédito do BTG Pactual ao fim de março caiu 40% na relação anual, para R$ 25,812 bilhões. Ante o quarto trimestre de 2015, a queda foi de 12%.

BSI

O BTG Pactual terá posição apenas de acionista no BSI após a conclusão da venda para o também suíço EFG International, de acordo com Kalim. "Não vamos agregar em operações, mas queremos ser um importante acionista", afirmou ele.

No cenário base atual, o BTG deve ficar com participação de cerca de 30% no EFG após a conclusão da transação, conforme anúncio feito em 22 de fevereiro. O negócio está em processo de aprovação das autoridades regulatórias. Conforme Kalim, a maior parte dos requerimentos já foram enviados.

Em paralelo, um aumento de capital do EGF foi anunciado e a conclusão, segundo ele, está prevista para o dia 13 de maio. O co-presidente do BTG informou ainda que o EFG publicou hoje um comunicado com novos detalhes sobre a oferta. "Acreditamos muito no mercado suíço, na consolidação desse mercado. A junção do BSI e do EFG é muito interessante porque não tem sobreposição. Nosso objetivo é de longo prazo. Queremos ser um acionista por um longo tempo", destacou Kalim.

O BTG Pactual fechou acordo para vender o BSI ao EFG por 1,33 bilhão de francos suíços (US$ 1,34 bilhão). O BSI havia sido incorporado ao BTG há apenas cinco meses, antes de o então executivo-chefe do banco brasileiro, André Esteves, ser afastado por suposto envolvimento na Lava Jato.