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Padilha ressalta necessidade de redução de juros

O ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, afirmou ao jornal O Estado de S. Paulo que o governo Temer vai aproveitar apresentação do balanço da situação financeira da União - marcado para a terça-feira - para sinalizar os rumos que deverá tomar no combate à crise econômica. Entre os principais recados, deverá ser ressaltada a ideia de que é preciso para adotar iniciativas que permitam a redução a taxa básica de juros da economia.

"Se pegar de 2013 para cá, o governo veio operando em déficit crescente e ganhou uma velocidade terrível em função dos juros da dívida interna. Por isso, temos em primeiro lugar que aumentar o emprego e isso significa a retomada da atividade econômica. E em segundo lugar, mais adiante, vamos criar condições para que haja uma inversão desses juros violentíssimo que a gente está pagando", disse Padilha.

Atualmente, a taxa básica de juros é de 14,25%. Ela tem impacto direto na dívida pública, que no primeiro trimestre do ano chegou a R$ 2,88 trilhões, de acordo com o Tesouro Nacional. É por esse motivo que o núcleo duro do governo Temer tem no horizonte a redução da Selic, ainda que isso não seja possível de imediato.

Segundo o chefe da Casa Civil, a expectativa é que o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, apresente durante a entrevista coletiva à imprensa uma tabela com uma escala de tempo com a previsão da redução da Selic. "Em princípio o ministro Meirelles vai fazer uma demonstração de quanto está e em quanto tempo ele espera que comece a ter uma reversão da taxa de juros. Não será nada imediato. O Banco Central não vai fazer isso a partir de amanhã. O mercado que tem que oferecer condições para isso", ressaltou Padilha.

A apresentação marcada para a terça-feira, 24, no Palácio do Planalto deve contar com as presenças do presidente em exercício, Michel Temer, e dos ministros do Planejamento, Romero Jucá, e de Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima. Na ocasião, não está prevista a divulgação de aumento de impostos como forma de repor o déficit de R$ 170,5 bilhões das contas públicas.

O tamanho do rombo representa 2,75% do PIB. A meta inicial estabelecida pelo governo Dilma era de R$ 96,6 bilhões. "Não vamos aumentar. Agora não. Nós poderemos até discutir mais adiante com a sociedade, depois que se demonstrar que a gente inverteu a tendência do governo de aumentar o déficit", ressaltou o ministro da Casa Civil. A nova meta fiscal deverá ser votada na terça em sessão do Congresso.

Imposto

Apesar de não haver a previsão de aumento de imposto, ao menos no curto prazo, os ministros vão apontar alguns dos programas que serão alvo de remanejamento. "Isso vai ser parte da demonstração. O bombástico é que se não houver uma intervenção profunda há o risco de comprometer até nas folhas de pagamento deste ano", disse Padilha. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.