22°
Máx
16°
Min

País atravessa combinação atípica de instabilidade política, diz Tombini

O Brasil atravessa um momento desafiador, caracterizado por uma combinação atípica de instabilidade política e desafios econômicos, de acordo com o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. Esses fatores, associados à baixa confiança dos empresários, dificultou, segundo ele, a recuperação da economia brasileira.

"O ambiente internacional de instabilidade é maior que antes, tanto nos países emergentes como nos avançados. O cenário interno e externo, embora perdure, é transitório. É importante considerarmos os ajustes já realizados no plano nacional", disse Tombini, em evento, na manhã desta quinta-feira, 7, promovido pelo Itaú Unibanco em São Paulo.

De acordo com ele, o nível de incertezas no exterior continha evado apesar da calma observada nos mercados globais nos últimos dois meses. Tombini citou como fatores que permeiam as incertezas o ritmo de desaceleração da China, commodities, principalmente o petróleo, o ritmo de crescimento dos Estados Unidos e os próximos passos da sua política monetária e, por último, o programa de estímulo monetário por parte da Europa e Japão.

Os países emergentes, conforme o presidente do Banco Central, têm sido beneficiados pelo ritmo suave de aperto monetários nos EUA. "O Brasil está passando por importantes ajustes macroeconômicos. Ajustes são fundamentais para correção de desequilíbrios macroeconômicos", avaliou.

Efeitos desinflacionários

Tombini afirmou também que, de agora em diante, efeitos desinflacionários da política monetária tendem a preponderar. Ele destacou fatores que deverão contribuir para que ocorra um processo "desinflacionário" no Brasil no curto prazo.

Citou o hiato do produto maior do que o esperado há alguns meses, depreciação cambial neste ano bem menor do que em 2015 e correção de preços domésticos, sobretudo administrados, inferior à variação próxima de 18% apurada no ano passado. "O coeficiente de repasse cambial tende a ser menor em ambiente de demanda retraída", comentou.

O BC estima que o PIB cairá 3,5% neste ano.